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Ordem dos Farmacêuticos contra legalização da canábis
DATA
17/01/2019 12:48:02
AUTOR
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Ordem dos Farmacêuticos contra legalização da canábis

A Ordem dos Farmacêuticos (OF) é inteiramente contra a legalização da canábis para fins recreativos, considerando que os projetos de lei assentam em pressupostos incorretos e generalistas.

Num parecer de oito páginas, cinco das quais com bibliografia e anexos sobre os efeitos cancerígenos e aditivos da canábis, a OF refere-se aos projetos do BE e do PAN, que estão hoje em debate no parlamente.

“A ordem entende que ambas as iniciativas legislativas assentam em pressupostos incorretos e generalistas e transmitem um sinal errado à sociedade, que não necessita de mais um fardo para a Saúde Pública”, refere o parecer, citado pela agência Lusa.

“Os relatórios disponíveis na literatura sobre experiências internacionais semelhantes demonstram um agravamento significativo dos fatores relacionados com o tráfico e com a saúde pública”, sublinha a OF.

Para os farmacêuticos, “os pressupostos dos projetos de lei, que na sua maioria carecem de comprovação científica, poderiam literalmente ser aplicados a qualquer droga, além da canábis. O único argumento que poderia estar subjacente à legalização da canábis, e não de todas as outras drogas, como por exemplo a cocaína, a heroína ou as anfetaminas, seria o da sua hipotética inocuidade, não constituindo assim uma ameça para a saúde pública”. Contudo, esta hipótese é considerada “nula”, tendo em conta “o elevado potencial de toxicidade da canábis e dos seus produtos psicotrópicos”.

A OF sustenta que “os dados iniciais relativos à experiência dos Estados Unidos sustentam a contraproducência dos projetos de lei".

Relativamente à saúde pública, a OF considera que a sociedade atual já está sobrecarregada com os efeitos nefastos decorrentes da utilização de duas substâncias psicotrópicas: o tabaco e o álcool e “não precisa de mais um fardo".

“A incorporação de uma nova droga com elevado potencial aditivo e toxicológico nos hábitos das populações corresponderia a um grave incremento dos danos na saúde pública, que é previsível pelos exemplos citados e que urge evitar”, acrescenta o documento.

Em nota de conclusão, a OF corrobora a posição da Federação Internacional Farmacêutica, “opondo-se, determinantemente, à venda da canábis para fins recreativos nas farmácias”.

Para a OF, “as farmácias são espaços de saúde, de prevenção da doença, cuja atividade em nada se coaduna com a comercialização de produtos nocivos para a saúde, como o álcool, o tabaco ou outros produtos utilizados para outros fins que não a promoção da saúde”.

“A venda de canábis para fins recreativos nas farmácias legitimará a sua utilização para fins de saúde e terapêuticos, escamoteando, irresponsavelmente, os efeitos nefastos atrás descritos”, conclui.

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Editorial
Rui Nogueira
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“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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