Hospital S. João encerra serviço farmacêutico noturno
DATA
18/01/2019 10:51:54
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Jornal Médico
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Hospital S. João encerra serviço farmacêutico noturno

O Hospital de São João, no Porto, encerrou os serviços farmacêuticos durante a noite devido à falta de recursos humanos, deixando também de poder dar apoio noturno a grande parte da região.

A denúncia foi feita pela Ordem dos Farmacêuticos (OF) numa carta enviada à ministra da Saúde, na qual a bastonária, Ana Paula Martins, alerta que a segurança dos doentes está em causa em muitos hospitais públicos, avisando para a dificuldade de garantir a segurança no circuito do medicamento 24 horas por dia.

De acordo com a carta, a que a agência Lusa teve acesso, o São João era um dos dois hospitais que dava, até agora, apoio noturno a grande parte da zona norte, nomeadamente a Matosinhos e Gaia, que já tinham fechado os serviços de prevenção por incapacidade.

Devido à mesma incapacidade e falta de recursos humanos, o Hospital de São João irá encerrar o serviço farmacêutico de prevenção entre as 20:00 e as 08:00.

O próprio diretor dos serviços farmacêuticos deste hospital, Paulo Carinha, alertou para um “aumento de incidência e situações de potencial erro”, tendo inclusivamente remetido cartas ao primeiro-ministro e ao Presidente da República sobre o assunto.

Num documento remetido à Presidência da República em setembro passado, o responsável relatou mesmo que só em agosto houve três erros com medicação e pelo menos um deles foi grave, com dano para o doente, que teve de ser internado por intoxicação.

No ofício enviado à administração do hospital no mês passado, Paulo Carinha refere que é imprescindível a entrada imediata de oito farmacêuticos e quatro técnicos superiores de diagnóstico e terapêutica.

A falta de profissionais nos serviços farmacêuticos dos hospitais públicos está a fazer com que a atividade tenha de ser reduzida nalgumas unidades, de forma a continuarem a garantir a segurança nos serviços prestados, como a preparação de medicamentos, refere a bastonária da OF.

Segundo Ana Paula Martins, também no Hospital de São João, como “em outros grandes centros hospitalares”, teve de haver “redução do número de horas de preparação de citotóxicos” (para doentes oncológicos) e de nutrição parentérica (endovenosa).

“Não estamos neste momento em condições, em algumas zonas do país, de assegurar durante 24 horas por dia a segurança no circuito do medicamento”, lamenta a bastonária, referindo que estão em falta cerca de 150 farmacêuticos e mais outros tantos técnicos de diagnóstico e terapêutica para assegurar o trabalho das farmácias hospitalares.

Ana Paula Martins alerta que os serviços estão a ser forçados a reduzir o número de horas em que estão a garantir as necessidades dos hospitais, para poderem fazer o trabalho em segurança.

Na carta à ministra Marta Temido, a OF frisa que em vários hospitais não há farmacêuticos suficientes para a sua função, acrescentando que ainda têm de fazer trabalho de outros profissionais, que são também escassos.

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