Hepatite C: Consulta fora dos hospitais abre hoje em Lisboa
DATA
21/01/2019 09:58:50
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Jornal Médico
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Hepatite C: Consulta fora dos hospitais abre hoje em Lisboa

Os antigos e atuais utilizadores de droga têm, a partir de hoje, uma consulta para tratamento da hepatite C fora dos hospitais, uma iniciativa do Grupo de Ativistas em Tratamento, que pretende aproximar esta população dos cuidados de saúde.

Trata-se da “primeira consulta comunitária descentralizada em Portugal de tratamento da hepatite C destinada a pessoas que usam ou usaram drogas”, que vão poder fazer o tratamento fora do ambiente hospitalar, “potenciando a cura da hepatite C”, segundo o Grupo de Ativistas em Tratamento (GAT).

A consulta comunitária, que hoje abre portas num novo espaço do centro de rastreio comunitário IN-Mouraria, em Lisboa, resulta de uma parceria com o Serviço de Gastroenterologia do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN), que engloba os hospitais Santa Maria e Pulido Valente, e tem como objetivo tratar pessoas que “têm vidas difíceis” e “não se sentem bem nos hospitais”, disse o presidente do GAT, Luís Mendão, citado pela agência Lusa. 

“As pessoas ali vão ter médico, fazer as colheitas para as análises”, fazer exames para avaliar o estado do fígado “sem necessidade de se deslocarem ao hospital”, disse Luís Mendão, considerando esta iniciativa uma “contribuição para uma boa saúde pública”.

“Pensamos que assim vamos conseguir tratar e curar a maior parte das pessoas desta população que vive com hepatite C”, afirmou o presidente do GAT, que tem esperança que sejam tratadas 200 pessoas no primeiro ano da consulta. "No entanto, já ficamos com um bom objetivo se chegarmos a 100 pessoas".

O diretor do Serviço de Gastrenterologia do CHLC, Rui Tato Marinho, que faz parte da equipa interdisciplinar, salientou a importância desta iniciativa para os doentes, mas também para os profissionais de saúde.

“É aproximar o especialista da comunidade, ser útil à comunidade”, disse à Lusa o hepatologista, afirmando que o “hospital é muitas vezes um sítio inóspito”, sendo difícil para algumas pessoas lá irem.

Há algumas comunidades, como utilizadores de drogas ou imigrantes, que têm dificuldades até em pagar os transportes para se deslocar “quatro ou cinco vezes ao hospital", umas vezes para fazer análises, outras para realizar exames, ir à consulta e "esperar horas” e “queríamos simplificar isso”, disse Rui Tato Marinho.

Com a deslocação da equipa de profissionais de saúde ao terreno consegue-se “fazer muito e ajudar muita gente em pouco tempo”, afirmou o especialista.

Mas “também é bom” para os profissionais de saúde: “Aproximamo-nos mais do outro, tornamo-nos mais humanos porque conhecemos outras faces da sociedade”.

Por outro lado, “é muito gratificante curar estas pessoas que tiveram e têm vidas muito desfavorecidas, ajudar a restaurar a saúde delas e dar-lhes momentos felizes”.

O presidente do GAT avançou que irá ser desenvolvido um estudo observacional a partir desta consulta, com objetivo de determinar a taxa de sucesso do tratamento para a hepatite C entre pessoas que usam/usaram drogas em contexto comunitário.

A criação do novo espaço foi possível devido à contribuição da Câmara Municipal de Lisboa, Coaliton Plus e do Programa EDP Solidária Inclusão Social 2017, da Fundação EDP.

Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve

É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.