Descoberta análise ao sangue capaz de detetar Alzheimer
DATA
21/01/2019 17:22:53
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Jornal Médico
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Descoberta análise ao sangue capaz de detetar Alzheimer

Foi descoberta uma análise ao sangue capaz detetar sinais de lesões no cérebro em pessoas com risco de doença de Alzheimer, mesmo antes dos sintomas associados à doença surgirem.

De acordo com um estudo, publicado hoje na revista científica Nature Medicine, o teste em causa consegue identificar no sangue uma proteína do esqueleto dos neurónios que tem o nome de neurofilamento de cadeia leve, podendo ser também usado para detetar sinais de lesões cerebrais associadas a outras doenças neurodegenerativas como, por exemplo, a esclerose múltipla.

Note-se que a deteção de elevados níveis de proteína no líquido cefalorraquidiano tem sido apontada como um sinal de que alguns neurónios sofreram lesões. Só que a obtenção de uma amostra de líquido cefalorraquidiano exige a sua recolha da medula espinal com uma agulha, um método ao qual as pessoas são relutantes.

Para realizar esta investigação, uma equipa de investigadores da Universidade de Washington e do Centro Alemão para as Doenças Neurodegenerativas, nos Estados Unidos, partiu de um estudo de população com mutações genéticas raras que causam a doença de Alzheimer em idade precoce (aos 30, 40 e 50 anos).

De acordo com os cientistas, há 50% de probabilidade de os progenitores com uma dessas mutações transmitirem o erro genético aos filhos e este, posteriormente, ter sintomas de demência perto da idade em que o pai ou a mãe os teve.

De forma a chegar a tais conclusões, os investigadores avaliaram 409 pessoas, das quais 247 eram portadoras de uma mutação genética herdada dos pais e as restantes sem alterações nos genes. De todas as pessoas que acompanharam, metade das quais mais do que uma vez, obtiveram amostras de sangue, imagens do cérebro e testes cognitivos.

As pessoas que tinham um erro genético revelaram no sangue concentrações mais elevadas da proteína de origem cerebral - neurofilamento de cadeia leve - e essas concentrações aumentavam ao longo do tempo.

Pelo contrário, as pessoas com um gene “normal” tinham níveis baixos e estáveis da mesma proteína. Esta diferença foi identificada 16 anos antes do aparecimento expectável dos sintomas cognitivos associados à doença de Alzheimer.

Adicionalmente, os investigadores observaram imagens do cérebro das pessoas e verificaram que as concentrações da proteína aumentavam ao mesmo ritmo que uma parte do cérebro envolvida na memória encolhia e torna-se mais fina.

Para perceberem se os níveis de neurofilamento de cadeia leve no sangue poderiam ser usados ou não como marcadores da degradação cognitiva, os cientistas recolheram dados de 39 pessoas com mutações genéticas que causam a doença de Alzheimer.

Através de testes cognitivos e de imagens do cérebro, descobriram que as pessoas cujas amostras de sangue tinham revelado anteriormente um aumento rápido das concentrações da proteína eram mais suscetíveis de apresentar sinais de atrofia cerebral e diminuição das capacidades cognitivas.

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Editorial | Jornal Médico
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