Primeiro dia de greve dos enfermeiros com 68% de adesão
DATA
22/01/2019 12:38:45
AUTOR
Jornal Médico
Primeiro dia de greve dos enfermeiros com 68% de adesão

A greve dos enfermeiros na região de Lisboa e Vale do Tejo está a registar uma adesão de 68%, segundo o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP). Hoje é o primeiro dia de paralisação que se prolonga até sexta-feira, 25 de janeiro.

Para o dirigente sindical, a adesão de 68% “traduz a grande onda de insatisfação dos enfermeiros”, que se concentraram hoje de manhã numa ação de protesto junto à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, em Lisboa.

“Governo escuta, enfermeiros estão em luta” ou “Enfermeiros de excelência estão sem paciência” são algumas das palavras de ordem gritadas pela cerca de meia centena de enfermeiros durante o protesto.

Das vozes destes profissionais de saúde é exigida a correta contabilização dos pontos para efeitos de descongelamento das progressões e o encerramento da negociação da carreira por parte do Ministério da Saúde.

A greve geral decorrerá nos turnos da manhã e da tarde nas instituições de saúde do setor público até sexta-feira e será feita por regiões de saúde.

Hoje, a greve realiza-se nos hospitais e centros de saúde da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, na quarta-feira na ARS do Centro, no dia seguinte na ARS do Norte e na sexta nas regiões do Algarve, Alentejo e Açores.

O presidente do Sindicato, José Carlos Martins, indicou que "o Hospital com maior adesão foi o São José, em Lisboa, com 82%, seguido pelo [hospital] de Abrantes com 80%, sendo que o mais baixo foi [o hospital] de Santa Cruz apenas com 18%”, adiantando que os serviços mais afetados foram as consultas nos centros de saúde e os blocos operatórios nos hospitais.

Segundo o dirigente sindical, há 13 a 15 mil enfermeiros que foram reposicionados em 1.200 euros em 2011 e que o Governo não pretende considerar o seu percurso profissional.

A acontecer esta situação, haverá “duas consequências práticas”: os enfermeiros “só saltarem de salário em 2025” e os profissionais que entrarem hoje nos serviços ficam “a ganhar o mesmo que colegas com 22, 23, 24 anos de serviço, o que é inadmissível”.

O presidente do SEP espera que com a greve “o Governo ceda ainda na reunião de negociação suplementar para resolver algumas questões”, como a correta contagem dos pontos e a “aposentação mais cedo”.

“Se nada for feito, vamos avaliar o novo quadro e o que queremos vamos fazer a seguir. Naturalmente, teremos que intervir junto do primeiro-ministro e depois junto do Presidente da República”, salientou.

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