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Centro Hospitalar de Leiria aciona plano de contingência
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DATA
28/01/2019 17:38:11
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Centro Hospitalar de Leiria aciona plano de contingência

As macas retidas no hospital de Santo André, do Centro Hospitalar de Leiria, estão a deixar dezenas de ambulâncias inoperativas.O Centro Hospitalar de Leiria já ativou o plano de contingência face à "elevadíssima procura".

"Estamos completamente inoperacionais. Das cinco ambulâncias de socorro, não temos nenhuma disponível por falta de macas. Neste momento, não tenho resposta para uma emergência que possa acontecer", revelou o comandante dos Bombeiros Voluntários da Maceira, Luís Ferreira.

Este comandante já informou o INEM [Instituto Nacional de Emergência Médica], o Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU) de Coimbra e referiu que iria contactar o presidente da Câmara de Leiria.

"A maca que temos há mais tempo no hospital está retida desde a noite de domingo. As outras foram ficando ao longo deste período. O hospital alega que há um pico elevado de admissões. Acreditamos que também estão com dificuldades, mas preocupa-nos que todas as corporações estejam com este problema", sublinhou Luís Ferreira.

Os Bombeiros Voluntários de Leiria têm macas 14 horas retidas nas Urgências: "Como não têm macas para os doentes, ficam com as nossas. As ambulâncias ficam inoperacionais por falta de material", afirmou o comandante Luís Lopes, revelando que na sua corporação ficaram com seis veículos fora de serviço.

Luís Lopes acrescentou que a retenção de macas é um problema que se coloca durante todo o ano, mas "agudiza-se quando há surtos".

"O hospital está a reter ilegalmente material que não é deles e nunca quis falar connosco. Se tivermos uma situação mais grave vão depois culpar os bombeiros ou o INEM por falta de resposta, quando não temos maca para ir a um socorro", insistiu.

Com duas macas de reserva, os Bombeiros Voluntários da Marinha Grande têm tentado gerir com recurso a este material. "Por vezes, permite deixar lá uma maca e substituí-la pela suplente. Mas isso só sucede quando há material compatível e nem todas [macas] o são", disse o comandante Vítor Graça.

Mas, quando não é possível, os bombeiros são obrigados a declarar a ambulância inoperativa.

"Apesar de o hospital reclamar quando deixamos lá as macas, a verdade é que quando não têm camas utilizam as nossas", acrescentou Vítor Graça.

O Centro Hospitalar de Leiria já ativou o plano de contingência face à "elevadíssima procura" pelo Serviço de Urgência Geral do Hospital de Santo André, disse o Conselho de Administração.

 

"Atendendo à procura registada, o hospital já acionou o seu Plano de Contingência, utilizando as camas disponíveis, cancelando a atividade programada e reforçando as equipas", revelou.

Segundo a mesma fonte, os "casos não urgentes (classificados como verdes e azuis) continuam a representar cerca de metade dos atendimentos, situações que poderiam e deveriam ter sido resolvidas sem o recurso às urgências hospitalares”. “Mas recebemos igualmente muitos casos de doença aguda a que temos, naturalmente de dar resposta, 24 horas por dia, sete dias por semana".

Os responsáveis lembram que o "Serviço de Urgência é o último acesso na rede de cuidados e, por isso, é forçado a dar resposta a todos os que o procuram e não têm resposta noutros locais".

Garantindo que estão a "fazer os possíveis para dar resposta a todas as situações", o Conselho de Administração espera que "dentro de algumas horas a situação possa normalizar".

Não obstante, apela-se à "colaboração de todos os intervenientes na rede de cuidados, e também dos utentes, para que as urgências hospitalares sejam usadas de forma correta".

"Recordamos que, em caso de doença, o primeiro contacto deverá ser para a Linha SNS 24 (808 24 24 24), que disponibiliza aconselhamento e encaminhamento em situação de doença e dúvidas com medicação”.

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Editorial
Rui Nogueira
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“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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