Estudantes lamentam inércia de políticos perante degradação da formação médica
DATA
31/01/2019 16:47:27
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Jornal Médico
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Estudantes lamentam inércia de políticos perante degradação da formação médica

A Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM) lamenta que os representantes políticos continuem a ignorar o problema de degradação da formação médica em Portugal, com tendência para se agravar ano após ano e com consequências diretas e graves para a qualidade do SNS.

“Até quando é que o Governo vai continuar a gerir a Saúde sem uma política de planeamento dos recursos humanos adequada às necessidades da população? Até quando é que o Governo vai continuar a ignorar que o número de estudantes nas Escolas Médicas Portuguesas é excessivo face às capacidades formativas do Sistema de Saúde? Até quando é que o Governo vai continuar a ignorar que, desde 2015, o número de médicos sem acesso à Formação Especializada tem vindo a aumentar exponencialmente, protelando-se a existência de médicos que, apósum ano de Internato de Formação Geral, exercem medicina sem especialidade, sem a devida supervisão e acompanhamento, sem a preparação adequada para a responsabilidade que representa trabalharem sozinhos no Serviço de Urgência, perante condições laborais precárias, o que acaba por condicionar uma sobrecarga de trabalho física e emocional, gerando, inclusivamente, gastos económicos elevados no Serviço Nacional de Saúde que bem poderiam ser investidos na formação e na prestação de melhores cuidados? Porque a formação médica é um investimento e não uma despesa”, reforça Vasco Mendes, Presidente da ANEM.

Para a ANEM, que participou esta quarta-feira na reunião plenária da Assembleia da República sobre Planeamento de Recursos Humanos no setor da Medicina em Portugal (que resultou da entrega de uma petição, no dia 16 de Novembro de 2017, que contou com mais de seis mil assinaturas de estudantes de Medicina), fica claro que “as entidades competentes vão continuar a alimentar a falsa ideia de que o país tem médicos a menos e que este problema se resolve com a abertura de mais vagas para Medicina, quando sabemos que, na prática, há uma má gestão de profissionais qualificados, que não há capacidade nacional para formar todos os médicos os que anualmente se candidatam ao Internato Médico, caminhando-se a passos largos para uma realidade que rejeitamos: o aumento de médicos indiferenciados e a degradação da formação médica com consequências na qualidade da prestação dos cuidados de saúde”.

Perante a falta de resposta por parte do Governo e a ausência de uma resposta consequente dos partidos na discussão da petição, a ANEM irá solicitar uma audiência ao Presidente da República para expor o problema e apelar à necessidade de haver um debate nacional alargado sobre a formação médica e sobre a necessidade de um planeamento dos recursos humanos no setor da Medicina em Portugal. “Os estudantes continuam dispostos a colaborar com as suas propostas pois a solução não é fácil nem imediata, mas as medidas têm de se tomadas rapidamente em prol da defesa da formação médica e da garantia de um serviço de saúde de qualidade cujos danos se irão certamente acentuar, ano após ano”, conclui o Presidente da ANEM.

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Editorial | Jornal Médico
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