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500 cirurgias prioritárias adiadas na primeira paralisação
DATA
01/02/2019 10:16:09
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500 cirurgias prioritárias adiadas na primeira paralisação

Pelo menos 500 cirurgias consideradas prioritárias ou muito prioritárias foram adiadas devido à primeira greve dos enfermeiros em blocos operatórios, segundo dados de dois hospitais onde decorreu a paralisação que terminou em dezembro de 2018.

A informação consta de uma resposta enviada à Ordem dos Médicos (OM) por dois dos cinco centros hospitalares onde decorreu a primeira greve cirúrgica dos enfermeiros, de 22 de novembro até final de dezembro e que levou ao cancelamento total de quase 8.000 operações.

Os enfermeiros iniciaram hoje uma segunda "greve cirúrgica", que decorre em sete hospitais e centros hospitalares. Esta segunda greve deverá prolongar-se até ao final de fevereiro.

Em meados de dezembro de 2018, o bastonário da OM, Miguel Guimarães, recorreu à lei que regula o acesso a informação administrativa para solicitar às administrações dos hospitais onde decorria a greve informação sobre as operações adiadas e a gravidade dos doentes.

Segundo Miguel Guimarães, o hospital de São João não enviou qualquer resposta e só dois dos outros hospitais enviaram elementos que respondiam ao que tinha sido solicitado pela Ordem dos Médicos.

No caso do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), tinham sido canceladas 1.890 cirurgias desde o início da greve e dia 26 de dezembro, quando foram preparados os dados a enviar à OM.

Em Coimbra, pelo menos 430 das cirurgias adiadas eram prioritárias ou muito prioritárias. Em relação ao total, 22% das operações adiadas eram prioritárias e 2% muito prioritárias.

Contudo, do total de cirurgias canceladas o CHUC identificou que 394 cancelamentos foram "resolvidos no período da greve".

Das 1.890 cirurgias adiadas, 8% cento eram em operações de crianças.

Na resposta à OM, o CHUC acrescenta que muitos doentes não chegam a estar refletidos nestes dados, porque a respetiva cirurgia não chegou a ser agendada devido às perspetivas da própria greve. “Só virão a ser visíveis no aumento da lista de espera e no aumento de posteriores transferências para o setor privado”, refere o centro hospitalar.

No Centro Hospitalar e Universitário Lisboa Norte, ao qual pertencem os hospitais de Santa Maria e Pulido Valente, mais de 120 cirurgias prioritárias ou muito prioritárias foram adiadas no decurso da primeira greve cirúrgica dos enfermeiros.

Segundo a administração do Santa Maria, quase 15% das cirurgias adiadas eram prioritárias e 3,5% muito prioritárias.

No momento em que enviou a informação à OM, o Centro Hospitalar Lisboa Norte apontava para 676 operações adiadas, mas entretanto, no parlamento, o presidente da administração indicou que mais de 800 tinham sido afetadas pela greve dos enfermeiros.

Em declarações hoje à agência Lusa, o bastonário da OM voltou a apelar ao Ministério da Saúde para que divulgue os casos dos doentes com cirurgias adiadas em consequência da greve que hoje começou, repetindo o apelo que já tinha feito aquando da primeira greve dos enfermeiros em blocos operatórios.

Miguel Guimarães considera ainda que os serviços mínimos devem ser ajustados de forma a não permitir que doentes prioritários vejam as suas operações adiadas.

Hoje, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros afirmou que na primeira greve em blocos operatórios não houve qualquer situação que tivesse posto em causa a vida das pessoas e considera adequados os serviços mínimos definidos.

Em declarações à agência Lusa, Ana Rita Cavaco disse que “não houve nenhuma situação que tivesse posto em risco a vida de ninguém, nem houve cirurgias prioritárias a ser adiadas”.

A bastonária recorda que acompanhou o cumprimento dos serviços mínimos durante a primeira greve e que os conselhos de administração dos hospitais garantiram que os enfermeiros tinham ido além dos serviços mínimos e aberto mais salas cirúrgicas.

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
Relatório Primavera: verdades e consequências

“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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