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Universidade de Coimbra cria acelerador de partículas para diagnóstico de cancro
DATA
08/02/2019 11:00:05
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Universidade de Coimbra cria acelerador de partículas para diagnóstico de cancro

A Universidade de Coimbra desenvolveu um acelerador de partículas, pioneiro a nível mundial, que torna mais acessível um diagnóstico preciso e fiável do cancro da próstata e do cancro do pâncreas.

O Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS), unidade da Universidade de Coimbra (UC), desenvolveu, em parceria com a multinacional belga IBA, um acelerador de partículas (ciclotrão), que vai otimizar a produção do isótopo Gálio-68, fundamental para o diagnóstico de cancro da próstata e do cancro do pâncreas, e até aqui de difícil acesso, num investimento de dois milhões de euros.

A tecnologia para a produção deste isótopo e transformação em radiofármaco foi completamente desenvolvida pelo ICNAS e a criação de ciclotrões que permitem extrair o Gálio-68 de forma otimizada, mais pura e mais eficiente, foi feita em colaboração com um dos maiores fabricantes de ciclotrões a nível mundial, a IBA, explicou à agência Lusa o coordenador do projeto, Francisco Alves, do instituto da UC, durante uma visita à fábrica belga, perto de Bruxelas, iniciativa na qual também esteve presente o reitor da universidade, João Gabriel Silva.

O primeiro ciclotrão deste tipo deverá chegar a Coimbra em março e a sua produção pela IBA (utilizando a tecnologia patenteada pelo ICNAS) para todo o mundo avançará após a sua validação na UC.

Este elemento radioativo poderá mudar por completo o acesso ao diagnóstico a partir de radiofármacos para tumores neuroendócrinos (pâncreas) e da próstata, salienta o coordenador do projeto.

"Não são tumores normalmente detetados no exame clássico e estão a ter uma importância crescente. Os neuroendócrinos são muito agressivos e muito mortais, e a sua deteção precoce é muito importante", vincou.

Até ao momento, o processo para utilizar Gálio-68 para esses exames de diagnóstico era muito dispendioso, tendo que se comprar um gerador deste isótopo - que custa cerca de 70 mil euros -, que pode demorar ano e meio a chegar e que depois apenas dura seis meses, com capacidade para produzir duas a três doses diárias.

Para além da melhoria no diagnóstico do cancro, este isótopo permite ainda "avaliar qual o grau de evolução da doença, verificar qual a melhor terapêutica ou se a terapêutica que está a ser seguida é eficaz ou não", referiu o diretor do ICNAS.

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Editorial
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