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Ciência confirma: Mulheres têm maior tolerância à dor que os homens
DATA
15/02/2019 12:05:56
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Ciência confirma: Mulheres têm maior tolerância à dor que os homens

Afinal, a ideia generalizada de que as mulheres toleram melhor a dor que os homens é mesmo verdadeira. Há muito enraizada no senso comum, a teoria foi agora validada pela ciência, num estudo publicado na Current Biology. A explicação está na memória, dizem os investigadores da Universidade McGill (Canadá), esclarecendo que o sexo feminino tem tendência a esquecer-se da dor mais rapidamente.

Um estudo recente, levado a cabo por investigadores da Universidade McGill, no Canadá, apurou que os homens revelam maior stress e hipersensibilidade quando confrontados com algum tipo de dor que já experienciaram anteriormente. A mesma investigação concluiu que, contrariamente, as mulheres conseguem suportar melhor a dor.

Esta diferença entre géneros deve-se, sobretudo, à forma como ambos os sexos se recordam de dores passadas, apontam os investigadores. A equipa de cientistas canadianos foi surpreendida quando detetou que homens e mulheres não se recordam do passado da mesma maneira. Os dados inéditos, agora apurados, concluem que enquanto as mulheres se esquecem mais rápida e facilmente, os homens nem por isso... Assim sendo, quando confrontados com a eventualidade de virem a sofrer a mesma dor novamente, os homens sentem-se “mais stressados, hipersensíveis, nervosos e relutantes” do que as mulheres, afirmam os investigadores.

“Ficámos abismados quando detetámos que pareciam existir as mesmas diferenças entre homens e mulheres, como já havíamos confirmados em ratos de laboratório”, avançou o professor e investigador que liderou a pesquisa na Universidade canadiana, Jeffrey Mogil.

Por sua vez, a professora da Universidade de Toronto, Loren Martin, referiu: “O mais surpreendente foi que os homens reagiram, sem dúvida alguma, de forma mais intensa”.

Este estudo foi levado a cabo num grupo de voluntários, que participou em duas experiências distintas. Na primeira, 41 homens e 38 mulheres, experienciaram dores de baixa intensidade (na forma de calor aplicado nos antebraços). De seguida, foi-lhes pedido que classificassem a dor numa escala de zero a 100. Imediatamente após esse episódio, foram submetidos a uma experiência mais dolorosa: foi-lhes colocado um medidor de pressão arterial bastante apertado quando insuflado e pedido que realizassem exercícios de braços por 20 minutos (experiência verdadeiramente excruciante).

Apenas sete dos 80 voluntários classificaram a experiência como tendo um valor inferior a 50 (na escala de dor até 100).

De modo, a testarem como a memória relativamente à dor tem impacto na tolerância a essa sensação, os cientistas repetiram as mesmas experiências no dia seguinte. Surpreendentemente, apuraram que os homens categorizaram a dor “como sendo mais elevada do que o dia anterior, e mais elevada comparativamente às classificações atribuídas pelas voluntárias femininas”.

A este respeito, Mogil sublinhou: “Acreditamos que os homens estavam a antecipar a dor, e que o stress dessa antecipação aumentou consequentemente a sensibilidade à dor. Tínhamos motivos para esperar que se registasse uma sensibilidade à dor mais elevada no segundo dia, mas não tínhamos motivos para esperar que tal se desse especificamente entre os voluntários homens. Foi uma total surpresa!”.

Os cientistas esperam que estas conclusões, publicadas na revista científica Current Biology, possam agora abrir caminho para a descoberta de novos tratamentos para os doentes que sofrem de dor crónica. Pensa-se que uma das causas da dor crónica esteja relacionada com a memóriaa de dores anteriores.

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
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