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Prémio Bial de Medicina Clínica 2018: Marcelo enaltece “visão excecional” de Luís Portela
DATA
19/02/2019 11:54:34
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Prémio Bial de Medicina Clínica 2018: Marcelo enaltece “visão excecional” de Luís Portela

“Um momento de festa”. Foi desta forma que o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, descreveu a cerimónia de entrega do Prémio Bial de Medicina Clínica 2018, que decorreu, ontem ao final da tarde, na Casa do Médico – Secção Regional do Norte da Ordem dos Médicos, no Porto.

O diretor do Serviço de Gastrenterologia no Instituto Português de Oncologia do Porto e professor catedrático convidado da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, Mário Dinis-Ribeiro, foi o vencedor do Prémio BIAL de Medicina Clínica 2018 com o trabalho “Cancro Gástrico em Portugal – Como reduzir a mortalidade por cancro gástrico em Portugal” e recebeu a distinção das mãos do chefe de Estado, que elogiou a excecional capacidade de visão de Luís Portela na criação da Fundação e dos prémios Bial, os quais “têm uma enorme componente pedagógica, permitindo juntar investigação científica e saúde e aplicar a investigação fundamental à dimensão clínica”.

Também o bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, salientou a importância do Prémio Bial de Medicina Clínica, na medida em que “fazer investigação é procurar o que de melhor podemos fazer pelos nossos doentes e pelas pessoas no futuro”, justificou.

Na ocasião, o presidente da Fundação Bial, Luís Portela, destacou “a elevada qualidade científica da generalidade das obras concorrentes – 90, no total – e, nomeadamente, das obras premiadas. Hoje, estamos a premiar alguns excelentes profissionais de saúde. A saúde que se faz em Portugal, faz-se bem. Faz-se muito bem na investigação. Faz-se bem nos cuidados. E também já se faz relativamente bem em termos económicos. Mas percebe-se que a saúde em Portugal tem um enorme potencial de desenvolvimento para servir, cada vez melhor, os interesses de saúde da humanidade, com proveito económico para o país”.

O responsável salientou que “a Fundação Bial pretende continuar a contribuir para a investigação e para a divulgação da ciência na área da saúde, sobretudo em Portugal, mas também na Europa e no mundo. A apoiar a ciência que tem beneficiado a humanidade com soluções terapêuticas cada vez mais eficazes, proporcionando melhores condições de vida e maior esperança de vida. A apoiar a saúde que queremos cada vez melhor, cientes de que atualmente tem de haver um grande rigor na utilização dos recursos, para ser possível o percurso inovador e bem-sucedido que tem sido feito no mundo em geral e também em Portugal”. De acordo com Luís Portela, “os vencedores desta edição do Prémio Bial de Medicina Clínica são um exemplo de como a investigação pode melhorar e muito a prática clínica, introduzindo novas guidelines no tratamento de doentes que são aplicáveis em qualquer parte do mundo”. 

O trabalho premiado acompanhou, entre 2005 e 2017, cerca de 400 doentes com lesões gástricas malignas ou pré-malignas. A abordagem utilizada permitiu definir novas orientações na deteção e tratamento do cancro gástrico, um dos mais mortíferos em Portugal, sobretudo devido ao diagnóstico tardio e elevada letalidade consequente. Através da realização de endoscopias foi possível remover lesões de forma minimamente invasiva com uma taxa de sucesso livre de complicações de 80 a 85%. Dos doentes abrangidos, a taxa de mortalidade foi de apenas um por cento e nunca por complicações ligadas ao cancro gástrico.

Na cerimónia de entrega do Prémio, Mário Dinis-Ribeiro sublinhou a necessidade de existir uma maior “estabilidade suprainstitucional”, de forma a permitir alinhar as prioridades do dia a dia com os objetivos de médio prazo, nomeadamente a implementação de um rastreio. De acordo com o especialista, importa ainda, no seio das instituições, “dar consistência à autonomia/flexibilidade para se competir, contratar e angariar fundos”.

O presidente do júri do Prémio Bial de Medicina Clínica 2018, Manuel Sobrinho Simões, salientou que “este é um trabalho de grande impacto, num cancro que não tem sido considerado um problema na Europa, mas que tem uma taxa de mortalidade assustadora. Com estes resultados fica demostrado o custo-eficácia da endoscopia digestiva alta na deteção precoce e, consequentemente, no tratamento das lesões, um tratamento, sublinhe-se, minimamente invasivo face à tradicional intervenção cirúrgica. Fica aqui demostrada a importância de apostar na investigação em medicina clínica e de como ela pode ser decisiva na busca de melhores soluções de tratamento para os doentes, mas também na alocação de recursos financeiros”.

O júri do Prémio Bial de Medicina Clínica 2018 atribuiu, ainda, duas menções honrosas no valor de 10 mil euros cada: à equipa liderada pela coordenadora da Unidade de Investigação e Desenvolvimento do Departamento de Promoção da Saúde de Doenças Não Transmissíveis do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, por Mafalda Bourbon, com o trabalho “Translational Medicine in Familial Hypercholesterolaemia: from phenotype to genotype”; e ao trabalho “Neurosciences of OCD (NoOCD): Towards a Brain Based Clinical” do neuropsicólogo, psicólogo clínico e professor catedrático na Escola de Psicologia da Universidade do Minho, Óscar Gonçalves, e da médica psiquiatra do Hospital CUF-Porto, Ana Castro Fernandes.

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
Relatório Primavera: verdades e consequências

“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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