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USF-AN atribui "fuga" de médicos à “falta de aposta do Governo nas USF”
DATA
01/03/2019 10:49:22
AUTOR
Jornal Médico
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USF-AN atribui "fuga" de médicos à “falta de aposta do Governo nas USF”

A Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) atribui a saída de médicos portugueses para o estrangeiro à “ausência da aposta do Governo nas unidades de saúde familiar (USF) e à morosidade dos concursos no Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

Em comunicado enviado à nossa redação, aquela associação adiantou já ter alertado os Ministérios da Saúde e das Finanças para a importância de abertura de novas USF e para a evolução das já existentes para modelo B.

“Com o despacho nº1174-B/2019, que define o número de USF a criar e as que evoluem de modelo organizativo durante o ano de 2019, continuamos com quotas limitadas e inexplicáveis", justificou o presidente da direção da USF-AN, João Rodrigues.

Segundo o responsável, “nas USF, para além de se prestarem cuidados de saúde personalizados, garantindo a acessibilidade, a continuidade dos médicos, confirmam-se consideráveis ganhos em saúde e reduções consideráveis de custos associados, conforme nos mostra o estudo da Coordenação Nacional para a Reforma do SNS, na área dos Cuidados de Saúde Primários (CSP)”.

“Para além disso, é conhecida a elevada satisfação dos profissionais de saúde e dos utentes que laboram e utilizam as USF", destacou. A associação adianta que as “USF cativam e desafiam os novos especialistas de Medicina Geral e Familiar (MGF), enfermeiros e secretários clínicos a integrar e a manterem-se motivados no SNS”, reforçou João Rodrigues, adiantando que “a limitação na abertura e evolução das USF reflete-se no retrocesso da reforma dos CSP, afetando também a fixação de especialistas de MGF no país”.

Para o presidente da USF-AN, a saída de médicos para o estrangeiro “poderá resultar na impossibilidade de atribuir um médico de família (MF) a todos os cidadãos, já para não falar da permanente fuga de enfermeiros e da enorme carência de secretários clínicos, por ausência de concursos no SNS”. O responsável acrescenta que, “ao analisarmos os dados disponíveis no Portal da Saúde, verificamos que o número da previsão de conclusão do Internato da especialidade de MGF é sempre superior ao número previsto de aposentações no mesmo ano. Dos mesmos dados, apenas em 2021 se verifica que esta renovação poderá ser equilibrada. Temos, pois, os recursos necessários, desde que saibamos criar condições para os fixar em Portugal”.

Ontem, o Jornal de Notícias avançou que o Governo galego está a tentar contratar MF e pediatras portugueses, oferendo-lhes o dobro do salário que estes especialistas ganham em território nacional. Também na bolsa de emprego da Ordem dos Médicos há anúncios a procurar médicos para países como a Irlanda, a Inglaterra ou a França.

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