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Dia Mundial da Meningite: O impacto positivo dos testes multiplex na prevenção de sequelas e na redução da mortalidade
DATA
23/04/2019 10:43:28
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Jornal Médico
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Dia Mundial da Meningite: O impacto positivo dos testes multiplex na prevenção de sequelas e na redução da mortalidade

Um contributo para a redução da morbimortalidade. É desta forma que se pode sumarizar a utilização de metodologias mais rápidas para a identificação dos agentes patogénicos, nomeadamente em casos de suspeita de meningite, que têm significado uma verdadeira revolução na área da Microbiologia, abreviando um processo em que a rapidez no diagnóstico/identificação bacteriana é crucial.

O FilmArray Meningitis/Encephalitis (ME) da BioFire, o maior teste multiplex disponível em biologia molecular é uma dessas tecnologias.

O menu alargado FilmArray, com um quarto painel, fornece um valor clínico único, visto ter a capacidade de detetar de forma rápida e fiável os agentes infeciosos responsáveis pelas infeções do sistema nervoso central (SNC).

O painel ME analisa, em apenas uma hora, o líquido cefalorraquidiano (LCR) para os 14 agentes patogénicos mais comuns (seis bactérias, sete vírus e uma levedura) responsáveis por meningites ou encefalites adquiridas na comunidade. Atualmente, os testes ao LCR para múltiplos microrganismos podem levar dias, e nem sempre são possíveis de realizar, uma vez que pode ser difícil obter líquido suficiente de cada paciente para executar múltiplos testes.

O FilmArray é um sistema PCR multiplex (biologia molecular) aprovado pela FDA e com marcação CE, fácil de utilizar, fiável e rápido. Tem o menu mais vasto para doenças infeciosas patogénicas, comercialmente disponível: inclui atualmente quatro painéis – respiratório superior, identificação por hemoculturas, gastrointestinal e ME.

 

Acerca da meningite

 

A doença meningocócica é uma doença súbita causada pela inflamação das meninges, uma infeção no sistema nervoso central, potencialmente fatal.

Normalmente manifesta-se como meningite bacteriana, uma infeção da membrana que reveste o cérebro e a coluna vertebral ou bacteriemia, uma infeção da corrente sanguínea. É causada pela bactéria Neisseria meningitidis (N. meningitidis) e progride de forma rápida, podendo levar à morte em 24 a 48 horas após o aparecimento dos primeiros sintomas. A meningite na criança é um importante problema de saúde pública e, apesar dos avanços científicos, a morbilidade e a mortalidade associadas a esta doença têm-se mantido praticamente inalteradas.

A doença pode transmitir-se de pessoa para pessoa através de partículas de tosse e espirros, a maioria dos casos continua a ser associado a crianças com menos de cinco anos.

Os sintomas iniciais da doença meningocócica não são específicos, pois aparentam muitas vezes ser sintomas de gripe, mais tarde podem ser notórios sintomas como a rigidez da nuca, erupções cutâneas e sensibilidade à luz – com o tardio aparecimento destes sintomas, o tratamento pode também ser atrasado e menos eficaz.

A maior parte das crianças resiste à doença, porém, mesmo com o tratamento adequado, um em cada dez casos pode ser mortal e um em cada cinco sobreviventes pode vir a sofrer sequelas físicas ou mentais, como surdez e alterações do desenvolvimento psicomotor.

O tratamento e prevenção são fulcrais para a sobrevivência e qualidade de vida da criança. Sendo impossível prever futuras infeções, o meio de prevenção mais eficaz para controlar a doença continua a ser a vacinação. Embora ainda não haja tratamento que previna todas as formas de meningite, estão disponíveis vacinas para os cinco serogrupos: A, B, C, W e Y.

De acordo com os dados nacionais publicados em 2014, dos casos de DMI registados em crianças menores de um ano de idade devidos ao serogrupo B, 67,7% (147/217) ocorrem até aos seis meses e 37,8% (82/217) até aos quatro meses de idade. Este perfil observado em Portugal é coincidente com o observado em outros países.

Atualmente, estão identificados quatro tipos de meningites, a meningite bacteriana onde as bactérias mais frequentemente envolvidas são a Neisseria meningitidis (meningococo), o Streptococcus pneumoniae (pneumococo) e o Haemophilus influenzae tipo b e que são infeções graves que podem ser fatais; a meningite viral que é mais comum, mas também menos grave; a meningite fúngica, mais rara pode ocorrer a partir de inalação de fungos no meio ambiente ou em doentes com diabetes, cancro ou infeção pelo VIH/SIDA; por fim, a meningite causada por parasitas com uma maior prevalência nos países menos desenvolvidos.

 

Saúde Pública

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