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PCS 2019: Prevenir a DCV em doentes com diabetes, HTA e dislipidemia
DATA
21/05/2019 12:21:44
AUTOR
Jornal Médico
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PCS 2019: Prevenir a DCV em doentes com diabetes, HTA e dislipidemia

A doença cardiovascular (DCV) esteve no centro do debate da Primary Care Summit (PCS) 2019, uma iniciativa promovida pela Springer Healthcare e pela Tecnimede, que decorreu no passado dia 18 de maio, em Lisboa. O evento – que contou com o patrocínio científico da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF) e das Sociedades Portuguesas de Aterosclerose (SPA), de Hipertensão (SPH) e de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM) – permitiu que internos e especialistas de Medicina Geral e Familiar (MGF) atualizassem os seus conhecimentos sobre o estado da arte na terapêutica da diabetes, dislipidemia e hipertensão arterial (HTA), com o foco na prevenção do risco cardiovascular (RCV) em doentes com estas patologias.

“A principal mensagem que gostaríamos que os médicos de família levassem da PCS 2019 para a sua prática clínica diária é a importância de sermos capazes de prevenir a DCV. Não sendo possível prevenir no pleno, devemos procurar reduzir o RCV e retardar a ocorrência eventos cardiovasculares em doentes com diabetes, dislipidemia e HTA”.

Quem o diz é o internista do Hospital Egas Moniz e um dos chairmen da PCS 2019, Alberto Mello e Silva, alertando para a elevada prevalência (isolada ou concomitantemente) destas três patologias, que se apresentam como importantes fatores de RCV.

Destinado a internos e especialistas de MGF, o evento organizado pela Springer Healthcare e pela Tecnimede ofereceu uma “oportunidade ímpar de atualização do estado da arte na terapêutica da diabetes, dislipidemia e HTA, com a intervenção de especialistas de renome internacional” e com um programa científico desenhado para permitir a interatividade na discussão das temáticas.

A otimização do tratamento da dislipidemia em doentes com diabetes foi o tema abordado pelo médico especialista em Endocrinologia, Metabolismo e Nutrição e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Pádua, Alberto Zambon, tendo este frisado que “na grande maioria das vezes, os médicos, após introdução de medidas de estilo de vida e de uma estatina, param de intervir naquele que é o primeiro degrau do tratamento: quando o colesterol LDL atinge o objetivo consoante o RCV individual”. De acordo com o médico italiano, e com base no Consenso da Associação Europeia de Aterosclerose (EAS), a otimização terapêutica destes doentes contempla um segundo degrau e “nem é preciso recorrer a exames caros para lá chegar, basta fazer contas”, diz. Trata-se da avaliação do nível do colesterol não-HDL que, caso não esteja dentro dos objetivos de controlo, implica passar ao segundo passo da intervenção/otimização terapêutica: a administração de um fenofibrato conjuntamente com a estatina. A evidência demonstra que esta associação terapêutica permite uma redução adicional do RCV na ordem dos 25 a 30%.

Ao médico e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Barcelona, Antonio Coca, coube abordar os novos desafios no tratamento da HTA. Mesmo em doentes com HTA de grau 1, o especialista é apologista da introdução o mais precocemente possível de terapêutica farmacológica, em associação com medidas de estilo de vida.

Além dos temas clínicos, os participantes da PCS 2019 tiveram a oportunidade de realizar um curso em Comunicação médico-doente, com o psiquiatra Pedro Morgado. Um aspeto que, no entender de Alberto Mello e Silva é essencial, já que uma boa comunicação pode melhorar a adesão à terapêutica, bem como os outcomes terapêuticos.

“Os doentes não são guidelines, são pessoas, indivíduos… Nem sempre o melhor conhecimento do estado da arte é aplicável e temos que saber como interagir perante cada um dos doentes à nossa frente, de forma a potenciar o tratamento”, salientou, a este respeito, o especialista.

Jorge Polónia, Ana Isabel Sampaio Oliveira e Luciana Couto foram outras das presenças ativas na PCS 2019.

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Editorial
Rui Nogueira
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