Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental quer maior apoio para doentes com esquizofrenia e avança com petição
DATA
05/06/2019 15:12:46
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Jornal Médico
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Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental quer maior apoio para doentes com esquizofrenia e avança com petição

A Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM) com o apoio da FAMILIARMENTE - Federação Portuguesa de Associações das Famílias com Experiência de Doença Mental - lança hoje a petição “Pela reposição da comparticipação total de antipsicóticos”, que pretende ver reposta a comparticipação dos antipsicóticos para os 100%.

Estima-se que em Portugal existam cerca de 48.000 doentes, sendo que 7 000 destes não têm qualquer acompanhamento médico. A falta de comparticipação tem sérias implicações na vida destes doentes, das suas famílias e da sociedade em geral. São doentes que na sua larga maioria não têm emprego, dependem de familiares com quem vivem e para quem a comparticipação total é determinante, tanto para saúde deles como para o bem-estar das pessoas que os rodeiam.

A esquizofrenia é uma doença crónica mental complexa e grave, de diagnóstico clínico, que tem um impacto significativo em diferentes domínios da vida e tem um risco de mortalidade nos doentes mais jovens, com idades inferiores a 20 anos, que pode ser até 13 vezes superior à da população em geral.

Como explica o Presidente da SPPSM, João Marques Teixeira, “o regime especial de comparticipação de psicofármacos, que existiu até 2010, potenciava uma maior adesão à terapêutica. Estudos recentes realizados em Portugal estimam que a esquizofrenia tenha um impacto indireto na ordem dos 340 milhões de euros e custos diretos avaliados em 96 milhões de euros/ano. Quanto menor a adesão à terapêutica, maiores estes custos e menor a capacidade para recuperarmos o doente. A falta de adesão à terapêutica pode decorrer de falta de rendimentos uma vez que cerca de 80 por cento dos esquizofrénicos não têm emprego e destes, 70% dependem financeiramente de pais e familiares”.

Segundo um estudo publicado na The Lancet Psichiatry por cada euro investido em saúde mental existe um retorno de quatro euros, decorrentes do aumento da capacidade de trabalho e inclusão (mais receita contributiva, maior produtividade económica) e da diminuição da despesa com hospitalização, prestações sociais e outros gastos em saúde.

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