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Médicos dizem que reunião com ministra foi uma "mão-cheia de nada" e mantêm greve
DATA
07/06/2019 11:05:54
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Médicos dizem que reunião com ministra foi uma "mão-cheia de nada" e mantêm greve

As duas estruturas sindicais dos médicos lamentaram a falta de resultados na reunião negocial realizada hoje com a ministra da Saúde e mantêm a greve de dois dias marcada para o início de julho.

“Foi mais uma mão-cheia de nada”, disse o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Roque da Cunha, aos jornalistas, no final da reunião de cerca de duas horas com a ministra da Saúde, Marta Temido.

Tanto o secretário-geral do SIM como o presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), João Proença, apontaram uma atitude de intransigência da ministra em relação às reivindicações dos médicos.

Uma nova reunião foi marcada para 09 de julho, já depois da greve marcada para 02 de julho pelo SIM e para 03 de julho pela FNAM.

Roque da Cunha declarou que “não há razão para desconvocar a greve”, acrescentando que, “tal como aconteceu nos últimos quatro anos, o processo negocial com o Ministério da Saúde foi uma mão-cheia de nada”.

“Uma mão-cheia de nada ao tempo de urgência dos médicos ser utilizado para a diminuição das listas de espera nas consultas, para os médicos do INEM serem médicos do quadro, para que haja um descongelamento da carreira, para que haja uma atitude diferente perante os médicos”, elencou.

O sindicalista sublinhou que o Governo quer continuar a obrigar os médicos a trabalharem seis dias por semana sem qualquer tipo de compensação “e, por isso, naturalmente, os pressupostos da greve mantêm-se já que não houve nada de novo”.

Roque da Cunha pediu à população para que “compreenda que no momento em que há um Governo que tem a maior carga fiscal de sempre, a maior dívida pública de sempre, e o menor investimento da saúde, não havia outra hipótese que não seja esta greve”.

Por sua vez, o dirigente da FNAM apelou para a “participação dos médicos nos dois de greve”, porque com um caderno reivindicativo que se discute há quatro anos “nada foi resolvido, fazendo com que os serviços públicos de saúde estejam cada vez mais deficitários, que as pessoas estejam mais desmotivadas e que tenha aumentado a desorganização”.

“A motivação tem a ver com as carreiras, com a gestão democrática, com a participação por mérito em cargos de chefia. Tudo isto tem de ser resolvido. Enquanto não for resolvido, com o défice financeiro que este Governo impôs pelo Orçamento, faz com tenhamos de protestar violentamente contra este estado de coisas”, vincou João Proença

“Se não o fizermos, coremos o risco de termos colaborado com esta situação, que é insustentável”, concluiu.

Os sindicatos consideram que em causa estão questões como o limite de 12 horas de trabalho em serviço de urgência, dentro do horário normal de trabalho, com a consequente anulação das atuais 18 horas semanais, o reajustamento das listas de utentes dos médicos de família, privilegiando o critério das unidades ponderadas, e procedendo à diminuição progressiva dos atuais 1.900 para 1.550.

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