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Manuel Carrageta: “Insuficiência cardíaca deve ser considerada prioridade nacional!”
DATA
14/06/2019 12:09:25
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Manuel Carrageta: “Insuficiência cardíaca deve ser considerada prioridade nacional!”

“A insuficiência cardíaca (IC) é uma das epidemias do século XXI e deve ser considerada uma prioridade nacional!”.

O alerta parte do presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC), Manuel Carrageta, e foi uma vez mais repetido pelo especialista no âmbito do Simpósio Insuficiência Cardíaca, Dislipidemias e Aterosclerose, promovido pela FPC no passado dia 7 de junho, em Lisboa, e em que esta doença mereceu destaque.

Recorde-se que a edição deste ano da campanha Maio, Mês do Coração foi dedicada à IC, com o mote “O seu coração não tem de ser uma prisão” e com o objetivo de sensibilizar para a prevenção desta doença cardiovascular e alertar para os seus fatores de risco e principais sintomas. De acordo com um estudo apresentado pela FPC à data de lançamento da referida campanha, apenas 15% dos portugueses conseguem identificar o edema nas pernas como um dos principais sintomas de IC”. E, embora considerem que a doença ameaça a vida das pessoas, 51% dos inquiridos acreditam que a taxa de sobrevivência é alta. Um resultado que contrasta com a realidade nacional, onde a taxa de mortalidade por IC é superior à mortalidade por alguns tipos de cancro.

Assim sendo, Manuel Carrageta defende que “é necessário aumentar a literacia em relação à IC em Portugal”.

Numa sessão intitulada “O doente Idoso com IC”, o especialista salientou que o principal fator de risco para a IC é a hipertensão arterial (HTA) não controlada e que a principal causa de morte na IC com fração de ejeção preservada (FEp) são as comorbilidades e a morte súbita.

Relativamente ao tratamento da IC, Manuel Carrageta concluiu, com base em estudos de evidência, que “nenhuma terapêutica farmacológica demonstrou reduzir a mortalidade na ICFEp. Já na IC com fração de ejeção reduzida (FEr), a terapêutica médica (com bloqueadores beta, IECA, ARA II, antagonistas da aldosterona, ivabradina e sacubitril/valsartan) aumenta a sobrevida, sublinhou o cardiologista.

Ainda de acordo com o presidente da FPC, “as novas terapêuticas com dispositivos mostraram melhorar os sintomas e aumentar a sobrevida destes doentes”. Uma ideia corroborada pelo colega Nuno Lousada, que reconhece o valor terapêutico das novas abordagens com dispositivos ou com intervenções como a CRT (ressincronização ventricular). Para o cardiologista do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN), um dos aspetos que não pode ser ignorado, mas que “ainda está muito pouco desenvolvido em Portugal” é o da reabilitação dos doentes com IC. “Contrariamente à doença coronária, mas à semelhança dos doentes com DPOC, os doentes com IC podem beneficiar muito de programas de reabilitação”, salientou, instigando ao desenvolvimento dos mesmos a nível nacional.

Também a telemonitorização configura uma mais-valia na abordagem dos doentes com IC, ainda que “indissociável da educação/formação do doente e seu cuidador”, adverte Nuno Lousada.

O cardiologista focou, também, os mais recentes dados de evidência relativamente ao sacubitril/valsartan, salientando os resultados do estudo TRANSITION: “o tratamento com sacubitril/valsartan pode ser iniciado precocemente e com segurança em grande parte dos doentes com IC com fração de ejeção reduzida (FER), após estabilização de um episódio de IC aguda”.

O estudo PARADIGM-HF já havia demostrado que sacubitril/valsartan é superior a enalapril na redução da mortalidade cardiovascular, na redução de hospitalizações e na redução da taxa de readmissão aos 30 dias, em doentes com IC-FER. Os novos dados, decorrentes do estudo TRANSITION, demonstram que sacubitril/valsartan pode ser iniciado com segurança em regime hospitalar ou ambulatório após um episódio de IC aguda, o que pode vir a alterar o paradigma na abordagem desta doença, salientou Nuno Lousada.

De salientar que 83% dos doentes com IC crónica são hospitalizados pelo menos uma vez devido a um episódio de agudização da doença e que, nos primeiros 30 dias após a alta hospitalar, um em cada quatro doentes é readmitido e a probabilidade de morte é de 10%.

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
Relatório Primavera: verdades e consequências

“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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