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Ordem apresenta proposta para resolver problemas nas urgências de Ginecologia/Obstetrícia
DATA
26/06/2019 11:40:02
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Jornal Médico
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Ordem apresenta proposta para resolver problemas nas urgências de Ginecologia/Obstetrícia

A Ordem dos Médicos apresentou uma proposta à Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) para resolver, no imediato, os problemas nas urgências externas de Ginecologia/Obstetrícia das maternidades de Lisboa, estando agora as medidas pendentes de decisão do Ministério da Saúde.

A proposta foi apresentada ontem ao presidente da ARSLVT, Luís Pisco, numa reunião com caráter de urgência pedida pelo bastonário e que decorreu na Ordem dos Médicos, em Lisboa. No encontro esteve também presente o presidente do Conselho Regional do Sul, Alexandre Valentim Lourenço, e o vice-presidente do Conselho Regional do Sul, Jorge Penedo.

“Não aceitamos remendos e pensos rápidos, como o encerramento rotativo das urgências externas das maternidades. Este encerramento não só não é uma solução, como coloca em risco a qualidade dos serviços e a segurança das grávidas e dos bebés”, afirma o bastonário da Ordem dos Médicos. “Por isso, tomámos a iniciativa de apresentar ao presidente da ARSLVT uma solução que permite resolver o problema já para este verão e que passa por valorizar o trabalho extraordinário aos médicos dos hospitais em dificuldade da mesma forma que os médicos contratados à tarefa. Não é aceitável, e é até contraproducente, ter lado a lado médicos da instituição a receber no máximo 12 euros e ter um tarefeiro que pode chegar aos 50 euros”, adianta Miguel Guimarães.

Antes da reunião com a ARSLVT, o bastonário reuniu com os diretores clínicos, diretores dos serviços de Obstetrícia-Ginecologia e Neonatologia de toda a região sul do país, tendo concluído que “as informações divulgadas ao longo da última semana reproduzem uma pequena parte dos constrangimentos que se verificam em muitas das unidades de saúde materno-infantil do nosso país, sendo a situação claramente mais grave”.

De acordo com o relato apresentado pelos seus responsáveis, a realidade nos serviços é ainda mais grave do que se poderia pensar, sendo revelados episódios verdadeiramente críticos em diferentes hospitais daquela região. Em muitos serviços, as escalas dos próximos meses têm vários dias por preencher, quer por falta de obstetras, quer por falta de neonatologistas ou anestesiologistas.

“Para situações de excecionalidade, respostas mornas ou circunstanciais não chegam. Exigem-se, por um lado, soluções rápidas e objetivas que minimizem os danos a curto prazo. Estas terão de passar, forçosamente, pela contratação extraordinária de médicos especialistas, em condições remuneratórias competitivas e em número suficiente para colmatar as necessidades imediatas ao nível da anestesiologia, da ginecologia/obstetrícia e da neonatologia. Por outro lado, é mandatório que o Ministério da Saúde promova um planeamento rigoroso das carências destes serviços em todo o país e adote mecanismos mais rápidos de contratação através de concursos públicos, justos e transparentes, valorizando o trabalho dos médicos, para suprir essas mesmas carências, numa estratégia já de médio e longo prazo”, clarifica Miguel Guimarães.

Em Portugal existem 1800 especialistas de obstetrícia-ginecologia inscritos na Ordem dos Médicos, dos quais 1400 com menos de 70 anos. Destes, dois terços têm 50 anos ou mais e metade 55 anos ou mais. No SNS estão cerca de 850 especialistas. O SNS necessita de cerca de 1000 especialistas.

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Editorial
Rui Nogueira
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“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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