DGS quer crianças a comer melhor e proibir certos alimentos nas máquinas
DATA
16/07/2019 11:21:06
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Jornal Médico
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DGS quer crianças a comer melhor e proibir certos alimentos nas máquinas

A mudança de hábitos na alimentação infantil foi defendida no Porto pela diretora-geral de Saúde (DGS), Graça Freitas, que quer também proibir dois terços dos alimentos das máquinas de venda automática nas instituições de ensino.

Em declarações à margem da apresentação na reitoria da Universidade do Porto (UP) do relatório Anual do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), Graça Freitas reiterou a aposta na mudança de “ambientes alimentares”, destacando o contributo das universidades neste objetivo.

“Destaco a aposta forte da Direção-Geral de Saúde neste programa e dois aspetos fundamentais: um é a informação, a comunicação, a capacitação e a literacia dos cidadãos para fazerem escolhas saudáveis, outro é trabalhar em ambientes que facilitem as escolhas”, afirmou a responsável.

Apontando modificar os ambientes alimentares como forma de “transformar os alimentos de forma a que os cidadãos tenham a sua escolha facilitada”, a diretora-geral lembrou que “a reformulação e a taxação das bebidas açucaradas já levou a uma diminuição drástica do consumo por parte dos consumidores”.

Colocando ênfase na “urgência de mudança de estilos de vida”, apontou como exemplo a alimentação infantil, dando como exemplo, que o “que se preconiza hoje é o leite materno até os seis meses de idade e que as crianças não consumam bebidas açucaradas”.

A diretora-geral concordou em “proibir” dois terços dos produtos alimentares à venda nas máquinas automáticas, mas lembrou que não se consegue “modificar tudo que existe à volta de um dia para o outro”.

“As modificações vão-se fazendo (…) Não adianta só legislar, tomar medidas e não ter os compromissos necessários para que essas medidas vinguem”, disse.

Elogiando que a questão do leite escolar “é muito bem-sucedida” em Portugal, Graça Freitas divulgou que as taxas atingidas “são da ordem de quase 100% de utilização”

“Em relação à fruta e aos legumes, os resultados não são tão bons, porque a adesão passa também por algum voluntariado das próprias escolas. É mais uma vez um trabalho que é feito entre o Ministério da Saúde, da Educação, as autarquias, há aqui muitos parceiros envolvidos e que temos de melhorar”, acrescentou.

O PNPAS, hoje apresentado, refere que cada português consumiu no ano passado 60 litros de refrigerantes, o que equivale a 3,3 quilogramas de açúcar, um valor menor do que no ano anterior, quando começou a ser aplicado o imposto sobre estas bebidas.

O mesmo relatório dá ainda conta que o programa de distribuição de fruta e leite nas escolas vai ser avaliado no próximo ano letivo, depois de em 2017/2018 Portugal ter usado apenas um terço dos 5,5 milhões comunitários, deixando de fora mais de 230 mil crianças.

Da mesma forma, a Roda dos Alimentos, com o apoio da Direção-Geral do Consumidor vai ser revista até final de 2020, prevendo o PNPAS também um sistema de rotulagem uniforme e mais fácil de entender.

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Editorial | Jornal Médico
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