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ACSS justifica aumento de cirurgias nos setores privado e social com redução de tempos de espera
DATA
03/09/2019 10:14:09
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ACSS justifica aumento de cirurgias nos setores privado e social com redução de tempos de espera

A Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) justifica o aumento do número de cirurgias realizadas em entidades dos setores social e privado, em 2018, com a redução dos tempos máximos de resposta garantidos.

Em 2018, houve uma redução dos tempos máximos de resposta garantidos de nove para seis meses para responder de “forma mais rápida às necessidades cirúrgicas dos cidadãos e isso faz com que a utilização das entidades com quem o Serviço Nacional de Saúde (SNS) tem acordos no setor social e no setor privado fosse utilizada”, disse à agência Lusa o vogal da ACSS, Ricardo Mestre.

Segundo o Relatório Anual de Acesso aos Cuidados de Saúde nos Estabelecimentos do SNS e Entidades Convencionadas relativo a 2018, ontem divulgado, o número de doentes operados cresceu para 594.978 (mais 0,1% do que em 2017), uma resposta ao aumento dos doentes propostos para cirurgia (706.103 em 2018, mais 6.971 do que em 2017.

De acordo com o documento, o aumento global das cirurgias realizadas deveu-se sobretudo aos hospitais convencionados e aos protocolados, que inclui o setor social e os privados.

Os dados de 2018 indicam que nos hospitais convencionados se realizaram 30.962 cirurgias (24.608 em 2017) e nos protocolados 34.258 (29.660 em 2017).

Ricardo Mestre sublinhou que os dados agora divulgados demonstram que “o SNS continua a responder de forma positiva aos cidadãos”, nomeadamente na atividade cirúrgica, que “em 2018 e à semelhança do que já tinha acontecido em anos anteriores”, verificou um aumento.

“Dos cerca de 595 mil portugueses que foram operados no SNS em 2018, o valor mais elevado de sempre, cerca de 90% foram operados nos hospitais públicos onde foram inscritos”, os restantes foram intervencionados em entidades do setor social e privado com quem o SNS tem acordos e convenções para complementar a sua resposta em áreas específicas.

“Estamos a falar de um conjunto de cirurgias mais frequentes e menos complexas, relacionadas por exemplo com cataratas, com varizes, onde existe um grande aumento das necessidades por parte dos cidadãos e onde a resposta do SNS é assegurada com o apoio destes dois setores”, explicou.

Questionado sobre os encargos que este recurso representa para o SNS, Ricardo Mestre afirmou apenas que “o SNS acaba por ter um aumento daquilo que é a resposta às necessidades cirúrgicas dos portugueses”.

“Nos últimos anos, ano após ano, temos vindo a aumentar no global a atividade efetuada no SNS, nomeadamente mais atividades nos cuidados de saúde primários e nas consultas a nível hospitalar e a atividade cirúrgica é resultado deste maior acesso dos portugueses ao SNS”, sustentou.

O vogal da ACSS salientou que o aumento das consultas hospitalares permitiu também uma manutenção dos tempos máximos de resposta garantidos, com cerca de 70% das consultas a serem efetuadas dentro do tempo.

Há especialidades onde este cumprimento dos tempos é menor porque há uma maior necessidade de resposta por parte dos utentes e porque “o SNS tem uma capacidade limitada de fazer face a essa resposta”.

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Editorial
Rui Nogueira
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