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Oito em cada 10 portugueses defende políticas públicas para hábitos alimentares saudáveis
DATA
04/09/2019 10:13:29
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Jornal Médico
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Oito em cada 10 portugueses defende políticas públicas para hábitos alimentares saudáveis

Oito em cada 10 portugueses consideram que o Governo deve intervir para promover hábitos alimentares mais saudáveis e a maioria apoia de forma expressiva o alargamento de medidas como a redução de açúcar em alguns alimentos.

Segundo o II Grande Inquérito sobre Sustentabilidade, hoje divulgado, o controlo das refeições nas escolas, reduzindo as ofertas menos saudáveis, a promoção da agricultura biológica e a redução do desperdício alimentar são algumas das áreas em que os portugueses defendem a aplicação de políticas públicas.

Sumos, bolos, chocolates e doces, molhos, leites aromatizados, cereais e águas aromatizadas estão entre os produtos mais escolhidos para serem também alvo de medidas de taxação no que respeita ao açúcar, embora a grande prioridade sejam os sumos e os produtos típicos de pastelaria tradicionalmente mais associados ao açúcar (bolos, chocolates e doces).

De acordo com o estudo, da Missão continente (Grupo Sonae) e Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade de Lisboa, a extensão deste tipo de taxas a outros produtos alimentares tem o apoio de quase metade dos inquiridos (47,7%), enquanto 23% se manifestam hesitantes, mas sem recusar a medida. O inquérito indica que apenas três em cada 10 estão contra esta taxa.

Quanto à posição sobre a medida já em vigor de aplicação de uma taxa relacionada com o teor de açúcar dos refrigerantes, os níveis de discordância são mais baixos (cerca de 15%), “o que demonstra que os cidadãos desejam uma maior regulação da área alimentar de forma a reduzir o teor de açúcar nos produtos disponibilizados”, referem os investigadores.

Os portugueses mostram-se bastante abertos à intervenção na alimentação escolar através de políticas públicas e as medidas mais apoiadas são o incentivo à distribuição gratuita de fruta, à confeção de alimentos produzidos com produtos da região, assim como de produtos de agricultura biológica. Defendem igualmente a proibição do uso de plástico descartável nas refeições escolares.

A medida que recolhe menor apoio (ainda que se mantenha maioritário – acima de dois terços das respostas) refere-se à intervenção nas opções de venda em estabelecimentos comerciais no perímetro da escola, nomeadamente a proibição da venda de alimentos pouco saudáveis.

Segundo os dados recolhidos, quando questionados sobre quem são os principais responsáveis pela saúde e segurança alimentar, os portugueses atribuem um grande peso ao Estado central, em particular aos Ministérios da Saúde, do Ambiente e da Agricultura, assim como à Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE), a principal entidade fiscalizadora de segurança alimentar.

A investigadora do ICS e uma das coordenadoras deste estudo, Luísa Schmidt, sublinhou, em declarações à Lusa, a duplicidade de sentimentos dos portugueses em relação ao Estado: “As pessoas precisam do Estado e têm noção de que é fundamental para elas, mas querem que seja fiável e meritório”.

A investigadora disse ainda que os dados indicam que os portugueses “estão particularmente atentos a tudo o que são atitudes eticamente menos responsáveis e políticas públicas menos transparentes e efetivas”.

“Há uma atenção muito grande ao desempenho do Estado e aos agentes políticos e uma crítica implícita muito grande relativamente a um certo de tipo de comportamentos morais e à distância entre governantes e governados”, acrescentou.

O estudo analisou 1.600 inquéritos a residentes em Portugal, maiores de 18 anos, estratificado por região, género e idade e tem 95% de intervalo de confiança. Decorreu entre 7 de novembro e 13 de dezembro de 2018.

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Editorial
Rui Nogueira
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