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OM: Barreiras no acesso a fármacos colocam doentes “em risco de vida”
DATA
10/09/2019 09:58:14
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OM: Barreiras no acesso a fármacos colocam doentes “em risco de vida”
O Conselho Nacional da Ordem dos Médicos (CNOM) entende que há clínicos que estão a ser “impedidos de proteger a vida de doentes com cancro”, denunciando barreiras no acesso a “medicamentos potencialmente inovadores” que colocam “doentes em risco de vida”.

O órgão máximo da Ordem dos Médicos (OM) quer que os diferentes peritos envolvidos na cadeia de acesso ao medicamento sejam diretamente responsabilizados por decisões erradas que impeçam a preservação da vida de doentes com cancro.

“Negar, no Serviço Nacional de Saúde (SNS), o acesso dos doentes a medicação com efeito comprovado na diminuição do risco de recidiva ou no aumento da probabilidade de sobrevivência constitui uma situação muito grave, ainda mais quando sabemos que, em muitos casos, a mesma medicação está livremente disponível para uso no setor privado e social”, refere a posição assumida pelo CNOM, citado pela agência Lusa.

Esta tomada de posição foi divulgada ontem, depois de o Colégio de Especialidade de Oncologia Médica da OM ter denunciado situações em que o Infarmed recusou tratamentos contra o cancro, tal como noticiado pelo Expresso no sábado.

Para a OM, há barreiras e decisões negativas ou empatadas para a aprovação de medicamentos com ação antitumoral que “têm colocado vários doentes em risco de vida e obrigado vários médicos oncologistas a delinearem planos de cuidados diversos dos esperados”.

Como barreiras ao acesso a medicamentos “potencialmente inovadores”, o documento do CNOM identifica as comissões de farmácia e terapêutica hospitalares, a comissão de avaliação de tecnologias da saúde do Infarmed, outros peritos do Infarmed e a própria direção da autoridade nacional do medicamento.

O órgão máximo da OM decidiu manifestar “total solidariedade” com o Colégio de Especialidade de Oncologia Médica e “recomendar fortemente” a todos os médicos que expliquem aos seus doentes as melhores opções terapêuticas e que limitações estão a ser impostas por “entidades externas”.

Estas limitações devem ainda ser registadas no processo clínico do doente e denunciadas à OM através do email Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar..

O CNOM recorda que o problema do acesso à inovação terapêutica em Portugal foi ainda recentemente sustentado pelo Observatório Português dos Sistemas de Saúde no Relatório de Primavera 2019. O documento refere que o acesso à inovação em Portugal é cinco vezes mais longo do que o melhor resultado europeu no período 2015-2017. A Alemanha demorava em média 119 dias a introduzir no mercado medicamentos inovadores e Portugal demorou no mesmo período 634 dias, quase dois anos.

A propósito da denúncia feita pelo Colégio, o Infarmed assegurou que a avaliação das autorizações especiais para uso de fármacos para o cancro tem em conta critérios que são apenas técnicos e clínicos, com base na análise de peritos médicos.

Em declarações à agência Lusa, no sábado, o presidente do Infarmed, Rui Ivo, indicou que se trata de casos de medicamentos que ainda estão em avaliação e sobre os quais os médicos podem pedir acesso através de uma autorização de utilização excecional, sendo que estas autorizações são decididas com base no parecer de peritos médicos, muitos deles oncologistas de hospitais do SNS, incluindo dos Institutos de Oncologia (IPO).

Estas autorizações de utilização excecional servem para que os médicos possam pedir acesso a um fármaco enquanto este ainda está a ser submetido a avaliação fármaco-económica para poder ser comparticipado e cedido pelo SNS.

De acordo com Rui Ivo, a avaliação das autorizações de utilização excecional é feita por peritos médicos, com base em critérios técnicos e clínicos, estando de parte as questões de financiamento. O responsável considera ainda que Portugal é um exemplo de “acesso aos melhores tratamentos disponíveis”, nomeadamente na área oncológica.

Em termos de aprovação de novos fármacos para o cancro, entre 2016 e 2018 foram aprovadas 40 novas substâncias e só este ano já foram aprovadas novas 15, segundo os dados oficiais do Infarmed.

Relatório Primavera: verdades e consequências
Editorial
Rui Nogueira
Relatório Primavera: verdades e consequências

“Ó Costa aguenta lá o SNS” foi o pedido de António Arnaut em maio do ano passado, poucos dias antes de nos deixar. Mas o estado da saúde em Portugal está mal ou bem ou vai indo? Está melhor ou pior? O SNS dá as respostas úteis às necessidades de saúde da população? O Relatório de Primavera ajuda a fazer interpretações fundamentadas.

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