23.º CNMGF e 18.º ENIJMF: Redimensionar as listas de utentes e rever a Carreira Médica é um imperativo

Arrancou, hoje de manhã, em Évora, o 23.º Congresso Nacional de Medicina Geral e Familiar (CNMGF), organizado pela Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF), em simultâneo com o 18.º Encontro Nacional de Internos e Jovens Médicos de Família (ENIJMF).

O presidente da APMGF, Rui Nogueira, abriu os trabalhos, chamando a atenção dos colegas para duas áreas que exigem uma reflexão e ação por parte dos médicos de família (MF): a dimensão das listas de utentes e a Carreira Médica.

Sobre o primeiro tópico, o especialista referiu: “Temos doentes a mais e MF a menos, o que resulta em listas de utentes sobredimensionadas, que não nos permitem responder aos desafios atuais e às necessidades da população”. Além disso, “a forma como as atuais listas estão organizadas não olham aos diferentes contextos de exercício clínico”, sublinhou Rui Nogueira, garantindo que esse é um aspeto “pelo qual a APMGF se vai debater junto da tutela, na próxima era governativa”.

No que concerne à Carreira Médica, o dirigente da APMGF defendeu a urgente revisão da mesma, há muito “abandonada e congelada”.  De acordo com Rui Nogueira, urge “orientar as nossas equipas com hierarquia técnica, evoluir nas diferentes categorias e funções previstas na Carreira Médica, mas que na maior parte das vezes, na prática, não têm sido levadas em linha de conta”. É fundamental, no entender do especialista, “que os colegas mais novos tenham interesse por esta área, apesar da grande dificuldade que têm em percebê-la. Porque é para eles e por eles que a Carreira Médica tem que existir”.

Nos próximos cinco anos, “metade dos MF (cerca de dois mil) vão aposentar-se”, lembrou Rui Nogueira, acrescentando que “face aos novos desafios e novas obrigações do especialista de Medicina Geral e Familiar (MGF), é fundamental retomar a Carreira Médica”.

A sessão de abertura dos 23.º CNMGF e 18.º ENIJMF contou com a presença da diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, em representação da ministra da Saúde, para quem os MF “são herdeiros de uma carreira que é um marco da qualidade assistencial e do direito à Saúde”.

Na ótica da responsável, vivemos tempos “de alguma bipolaridade”, em que, “apesar de a população reconhecer muito o valor dos MF, há uma crise geral de reconhecimento e tudo é posto em causa”. Acresce que “a rapidez das transformações é grande e o mundo é muito volátil. Modificaram-se expetativas, valores e necessidades. Tudo se mexe muito rápido à nossa volta, mas estamos metidos em máquinas lentas. Há uma desadequação de velocidades e uma tendência – que importa contrariar – de acreditar que mais é melhor”, referiu Graça Freitas.

Dirigindo-se particularmente aos jovens médicos presentes na cerimónia, a diretora-geral da Saúde salientou o papel destes profissionais enquanto “agentes de transformação positiva”. E instigou: “É preciso fazer advocacia para garantir acesso. E acesso é não deixar ninguém para trás! Precisamos de organizar e prestar cuidados adequados, efetivos, eficientes e obviamente humanizados. Isto não são chavões! É por isto que temos que lutar! Porque ao lutarmos contra as desigualdades em Saúde, estamos a contribuir para a coesão social”.

Os 23.º CNMGF e 18.º ENIJMF decorrem até amanhã, em Évora, com sessões científicas, conferências, simpósios e workshops vários para os cerca de 600 inscritos.

 

 

Serviço Nacional de Saúde – 40 Anos
Editorial | Jornal Médico
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