João Paço: "Esta medalha é o reconhecimento de uma vida"
DATA
01/10/2019 10:07:11
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS

João Paço: "Esta medalha é o reconhecimento de uma vida"

João Paço, Diretor Clínico do Hospital CUF Infante Santo, Presidente do Conselho Médico da José de Mello Saúde e Coordenador do Serviço de Otorrinolaringologia do Hospital CUF Infante Santo foi agraciado, na passada sexta-feira, com a medalha de mérito da Ordem dos Médicos. "Esta medalha é o reconhecimento de uma vida", afirma o médico e professor que sempre soube ser esta a sua vocação.

Começou em 1975 a sua carreira hospitalar no Serviço Nacional de Saúde, de Especialista a Chefe de Serviço Graduado. 20 anos depois, em 1995, entra no Hospital CUF como coordenador do Centro de ORL.   

| Ser médico em 2019

Questionado sobre as diferenças entre o início de carreira e os dias de hoje, João Paço sublinha que os doentes estão muito mais informados e exigentes. “Os doentes chegam-nos com a expectativa de determinado diagnóstico e tratamento, influenciados por informação muitas vezes duvidosa, e facilmente procuram uma segunda opinião se o nosso parecer for diferente ou pouco consistente”.

Por outro lado, a tecnologia tem hoje um papel preponderante e coloca ao dispor dos profissionais inúmeras ferramentas de apoio à decisão. O mesmo acontece com o acesso ao conhecimento científico. “No passado, para nos atualizarmos, tínhamos de ir a congressos internacionais, fazer estágios em hospitais estrangeiros de referência, procurar literatura diferenciada. Nos dias de hoje, basta sentar-me ao computador para ficar a par do estado da arte nos mais diversos temas. A atualização permanente é uma obrigação de todos os médicos e veio beneficiar muito da globalização e da era digital”, refere.

 

| Humanização dos cuidados de saúde

Este pode ser considerado um dos pilares da sua carreira e um tema de importância crescente. O espaço ocupado pela tecnologia é cada vez mais expressivo e, por isso, o médico recorda o valor do contacto humanizado com os doentes. “Temos de estar conscientes da fragilidade de quem nos procura: os doentes estão num sítio que não conhecem, com roupas que não são as suas, longe da família e amigos e expectantes relativamente ao diagnóstico. Humanizar é ajudar, é algo tão simples como levar o doente ao corredor certo. Temos de ter tempo para dar algum carinho a estas pessoas, porque afinal é disso que se vão lembrar quando saírem”, assinala.

 

| Carreira Académica

João Paço sabe de cor as datas de cada marco da sua carreira médica e académica. Ainda enquanto estudante foi monitor da cadeira de anatomia, por ter tido uma nota excecional. Um contacto mais próximo com ORL no final do curso fê-lo escolher a especialidade e ficou como assistente de anatomia assim que se formou.

Seguiu-se um percurso longo e exigente que passou pelo doutoramento e agregação, já como professor de ORL. Ficar a tempo inteiro na CUF foi um desafio aceite na condição lhe ser permitido ter um serviço universitário, receber internos, dar aulas e ter a sua equipa a frequentar programas doutorais. Conseguiu ter, pela primeira vez num hospital privado, a regência de uma cadeira universitária, que muito se deveu ao seu percurso de excelência enquanto médico e professor.

Tem mais de 120 trabalhos publicados em Portugal e no estrangeiro e cerca de 300 Comunicações Científicas em Congressos Nacionais e Internacionais. É Editor da Gazeta Médica e de 7 livros de ORL. Na Nova Medical School foi orientador de 5 teses de doutoramento e Regente da disciplina de Otorrinolaringologia.

Sobre a distinção, sublinha "é o reconhecimento de uma vida. Embora me seja atribuída a mim, é um reconhecimento para a minha equipa e para a instituição”.

Entre as distinções científicas recebidas contam-se o Prémio SANITAS; Prémio PFIZER; Prémio da Fundação da Academia Americana; Prémio de Honra da Academia Americana e o Prémio da Fundação da Academia Americana.

É, atualmente, coordenador do primeiro Núcleo Académico Clínico do país, nas áreas de Otorrinolaringologia e Patologia Cérvico-Facial.

O professor catedrático jubilou este ano, mas continua dono de uma curiosidade sagaz que imprime às suas equipas. “O céu é o limite”, recorda, quando lhe perguntamos o que ainda lhe falta fazer.

 

 

| Espírito de missão

“São Tomé resume-se a espírito de missão. É a possibilidade de fazermos a diferença, mas também de ver outras realidades, de relativizar aquilo que consideramos limitações e valorizar as excecionais condições que temos, quando colocadas em perspetiva. Leva-nos a pensar todos os dias o que é que podemos fazer diferente e melhor e isso pode começar em Portugal, à nossa volta”.

A CUF colabora desde 2009 com o projeto "Saúde para Todos", levando regularmente em missão a São Tomé e Príncipe equipas de médicos, técnicos, enfermeiros, entre outros profissionais de saúde que prestam cuidados às populações e formam os pares localmente.

Pela sua dedicação a estas e outras causas humanitárias, João Paço foi em 2005 distinguido com o grau de Comendador da Ordem de Mérito da República Portuguesa.

Serviço Nacional de Saúde – 40 Anos
Editorial | Jornal Médico
Serviço Nacional de Saúde – 40 Anos

Reler as origens do Serviço Nacional de Saúde ajuda a valorizar o presente e pode ser uma forma de aprender para investir no futuro com melhor fundamentação

Mais lidas