Medicina de precisão em debate no Congresso da Liga Portuguesa Contra o Cancro
DATA
09/10/2019 11:40:02
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Jornal Médico
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Medicina de precisão em debate no Congresso da Liga Portuguesa Contra o Cancro

No Congresso “Cancro: da Medicina Personalizada à Medicina de Precisão”, da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), a decorrer nos dias 22 e 23 de novembro, em Coimbra, irão ser discutidos temas enquadrados na temática da medicina de precisão.

O responsável pelo congresso, Carlos Oliveira, em entrevista à Lusa, afirmou que a medicina de precisão no tratamento de doenças oncológicas ainda não está acessível a toda a população por falta de aprovação de alguns medicamentos pelo Infarmed. Estes fármacos, apesar de serem promissores em doentes com determinadas alterações genéticas, “ainda não completaram o crivo científico para se mostrar de facto que são de evidência e um benefício”, refere.

A área da medicina de precisão, apesar de ter o potencial de revolucionar os cuidados de saúde na procura de otimizar o tratamento de cancro, ainda está no início: “só em 2013 é que o genoma humano foi descodificado e, portanto, em 2019, ainda estamos a dar os primeiros passos", frisou o académico. Até agora, tem sido utilizada em doentes que, depois do tratamento convencional, apresentaram metástases e viram as suas hipóteses de tratamento diminuídas.

A medicina de precisão, baseada na genética, abre portas para a imunoterapia e tratamento do doente com células do próprio organismo, como explica o responsável. Vai ainda mais longe dizendo que, embora ainda não esteja demonstrado, há a possibilidade de no futuro se fazer o rastreio do cancro da mama apenas por colheita de sangue, em vez de mamografia, onde se poderá “pesquisar no sangue a presença de células tumorais, que podem estar na circulação e ainda não deram em tumor”.

A busca por diagnósticos precoces e rastreios, bem como de tratamentos, eficazes contra o cancro tem vindo a evoluir ao longo das últimas décadas, melhorando os níveis de sobrevivência nalguns casos – o cancro é hoje considerado uma doença crónica. Contudo, é imperativo continuar a explorar soluções, dado o aumento da incidência do cancro. Este dado tem que ver “como envelhecimento da população (aumento da percentagem com pessoas acima de 65 anos), porque o cancro é muito mais frequente nas pessoas com idades mais avançadas”, menciona Carlos Oliveira.

O congresso conta a participação de vários especialistas nacionais e um sueco e dirige-se a profissionais e estudantes das áreas da saúde e das ciências sociais e voluntários da LPCC. O objetivo é promover "uma reflexão crítica acerca dos pressupostos, limites e possibilidades da medicina personalizada e medicina de precisão", esclarece.

Estarão em debate temas como o rastreio personalizado, prevenção do cancro hereditário, aconselhamento genético, perfil genómico, biópsia líquida, biomarcadores, inteligência artificial, imunoterapia personalizada, necessidade apoio psicológico, impacto económico e financeiro da Medicina Personalizada e limites éticos da Medicina Personalizada.

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