Tema da dor infantil marca Colóquio da Fundação Grünenthal
DATA
10/10/2019 15:33:48
AUTOR
Jornal Médico
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Tema da dor infantil marca Colóquio da Fundação Grünenthal

Realizou-se ontem a cerimónia de entrega dos prémios atribuídos pela Fundação Grünenthal, na Fundação Calouste Gulbenkian. No Colóquio Fundação Grünenthal debateu-se a dor na criança, com a apresentação da enfermeira especialista em saúde infantil e pediátrica, Ananda Fernandes.

Num ano em que o tema é sobre dor em populações vulneráveis, a enfermeira incidiu sobre o caso dos recém-nascidos prematuros, afirmando que a dor existe, embora seja diferente, e alertando para o facto de o tratamento individualizado da dor em recém-nascidos prematuros ainda não ser muito desenvolvido.

A sensação e expressão de dor "não requer aprendizagem; é muito precoce e indispensável à nossa sobrevivência", afirmou, explicando que “os recém-nascidos começam a distinguir os estímulos dolorosos dos não-dolorosos por volta das 35, 37 semanas".

A especialista lançou então a questão sobre "como é que se tem a perceção de dor num cérebro em desenvolvimento” e como se poderá prevenir e tratar a dor neo-natal, dado que as consequências de exposição precoce (especialmente em bebés pré-termo) e repetida à dor podem criar traumas e afetar a arquitetura cerebral, devido à plasticidade do órgão. Entre algumas medidas referiu a adequação de estímulos ambientais - "a luz, o ruído têm de ser preocupações constantes", o respeito pelo sono, entre outros - e a intervenção escalonar: desde o fornecimento de chupeta com sacarose, glicose, amamentação para o contacto pele a pele, até fármacos para o tratamento de dor. Apelou, ainda, para a necessidade da presença dos pais e de os envolver no controlo da dor.

O Prémio Grünenthal Dor foi atribuído ao trabalho "Answering the call: a new measure to assess pain in people with haemophilia: The Multidimensional Haemophilia Pain Questionnaire (MHPQ)", da autoria de Ana Cristina Paredes, Patrício Costa, Armando Almeida e Patrícia R. Pinto, e ao "Glial activation in the collagenase model of nociception associated with osteoarthritis", de Sara Adães, Lígia Almeida, Catarina S. Potes, Ana Rita Ferreira, José M. Castro-Lopes, Joana Ferreira-Gomes e Fani L. Neto. Estes estudos permitiram novas formas de mapear e avaliar o processo de dor.

A Bolsa Jovens Investigadores em Dor, com um valor de 10 mil euros, foi entregue ao grupo composto por Guilherme Ferreira dos Santos, André Caiado, Sérgio Rodrigues Gonçalves, Luís Horta e Pedro Soares Branco pelo projeto “O efeito da Infiltração Intra-articular de Leucocyte-Poor Platelet Rich Plasma (LP-PRP) na Concentração Sinovial de Citocinas Pró-inflamatórias em Doentes com Osteoartrose Ligeira a Moderada da Anca”. Esta estratégia terapêutica consiste na infiltração intra-articular de derivados biológicos autólogos, obtidos e trabalhados no laboratório de imunohemoterapia, e permite evitar ou adiar cirurgia ortopédica em doentes com osteoartrose ligeira a moderada da anca e do joelho.

Foram ainda entregues os Prémio Jornalismo e atribuída a bolsa de apoio a projetos de investigação na área da dor.

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Editorial | Jornal Médico
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