DGS propôs ao Governo dispensa gratuita de antipsicóticos nos serviços de saúde
DATA
11/10/2019 11:07:26
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS



DGS propôs ao Governo dispensa gratuita de antipsicóticos nos serviços de saúde

O diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental afirmou que já propôs ao Governo a dispensa gratuita de antipsicóticos nos serviços de saúde, o que permite dar os medicamentos e também monitorizar os doentes.

"Eu próprio fiz um parecer, que entreguei à tutela há um mês e meio, com uma proposta de dispensa gratuita [de antipsicóticos] nos serviços de saúde", disse à agência Lusa o diretor do Programa Nacional para a Saúde Mental da Direção-Geral da Saúde, Miguel Xavier.

Segundo Miguel Xavier, a proposta "não é de comparticipação a 100%, é de dispensa gratuita nos serviços", porque, desta forma, consegue-se "a monitorização dos doentes nos serviços".

"Não é [monitorização dos doentes] nas farmácias e nas ruas, é nos serviços, e, assim, conseguimos fazer aquilo que é mais importante: dar [os antipsicóticos] e, ao mesmo tempo, monitorizar [os doentes]", explicou.

Várias associações que apoiam doentes com doença mental grave alertaram para a necessidade de repor a comparticipação a 100% dos medicamentos antipsicóticos, que são essenciais para os 48.000 doentes que em Portugal sofrem de esquizofrenia.

Miguel Xavier falava à agência Lusa à margem da conferência "Trabalhar em Conjunto para Prevenir o Suicídio", que decorreu ontem em Beja, no âmbito das comemorações do Dia Mundial da Saúde Mental.

A conferência foi promovida pelo Programa Nacional para a Saúde Mental da Direção-Geral da Saúde em parceria com a Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo.

Segundo Miguel Xavier, a taxa de suicídio em Portugal está "basicamente igual" e os dados até 2017 do Instituto Nacional de Estatística relativos às taxas bruta e padronizada "mostram oscilações mínimas" e que andam à volta "dos 9 a 9,5 ou 10 a 10,5" casos por cada 100 mil habitantes.

"Isto é importante", porque "o suicídio é um fenómeno raro do ponto e vista epidemiológico e qualquer alteração moderada já dá uma diferença enorme", frisou.

"Aquilo que verificamos é que não há uma grande variação, pelo contrário, mesmo nos anos da ‘troika’, em que houve dificuldades, Portugal e, por acaso, Espanha não tiveram uma grande alteração da taxa de suicídio, enquanto houve outros países onde a taxa de suicídio aumentou francamente", disse.

Miguel Xavier explicou que, como o número de casos de suicídio por ano é "muito pequeno", "basta" que haja uma variação "um pouco maior" de um ano para outro e "a diferença é logo muito grande", explicou.

"Quando avaliamos o suicídio, temos de olhar para a tendência ao longo de anos, se não temos uma tendência ao longo de anos não vale a pena estar a tirar conclusões", defendeu.

800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde
Editorial | Jornal Médico
800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde

Se não os tivéssemos seria bem pior! O reforço do Programa Operacional da Saúde com 800 milhões de euros pode ser entendido como sinal político de valorização do setor da saúde. Será uma viragem na política restritiva? O Serviço Nacional de Saúde (SNS) de 40 anos precisa de cuidados intensivos! Há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções. É urgente pensarmos na nova década com rigor e disponibilidade sincera.

Mais lidas