Curso Avançado de Psiquiatria Clínica e Saúde Mental para Medicina Geral e Familiar
DATA
16/10/2019 16:37:39
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Jornal Médico
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Curso Avançado de Psiquiatria Clínica e Saúde Mental para Medicina Geral e Familiar

Os especialistas em Medicina Geral e Familiar (MGF) são muitas vezes o primeiro recurso de um doente psiquiátrico. Com o intuito de capacitar os profissionais de saúde para acompanhar os doentes até à consulta de especialidade, a Cuf Academic and Research Medical Center em conjunto com o psiquiatra e professor Luís Madeira e a especialista em MGF, Natallia Minakova, criaram o Curso Avançado de Psiquiatria Clínica e Saúde Mental para Medicina Geral e Familiar.

Natallia Minakova afirma que “os distúrbios mentais são atualmente considerados um problema mundial e afetam todos os países, sociedades e grupos etários, associando-se a elevados custos socioeconómicos. Em Portugal, as doenças psiquiátricas representam um dos motivos mais frequentes de consulta em Medicina Geral e Familiar, com uma prevalência de
cerca de 50%. Metade destes doentes são acompanhados exclusivamente nesta especialidade. No entanto, são muitas as dificuldades sentidas pelo médico de família na abordagem deste tipo de patologia. Neste contexto, surgiu a oportunidade de organizar uma formação pós-graduada em Saúde Mental para os especialistas em MGF, com o objetivo de desenvolver técnicas e estratégias que permitam intervir eficazmente nas perturbações mentais mais frequentes.”

Para o psiquiatra e professor Luís Madeira, um dos principais objetivos do curso é a aquisição de competências por parte dos especialistas de MGF, “isto é, que estejam atentos aos perfis de sintomas capazes de serem índices para um diagnóstico bem como clarificar formas de sofrimento que constituem fenómenos psicopatológicos ou variantes do normal. Que adquiram conhecimento sobre as diferentes formas de psicoterapia disponíveis e a sua indicação. Por último, sensibilizar os participantes a formas de relação mais capazes de gerir situações complexas em consulta”, acrescenta.

O curso encontra-se dividido em duas partes, “a parte teórica inclui os temas mais relevantes para a prática diária do médico de família, que englobam as perturbações ansiosas e depressivas, as perturbações psiquiátricas na mulher e no idoso, o burnout e os quadros psicossomáticos. A parte prática do curso centra-se no desenvolvimento de capacidades técnicas e estratégicas que permitem reforçar a relação médico-doente e apreender os aspetos básicos de Psicoterapia”, explica a especialista em Medicina Geral e Familiar.

Cientificamente o curso irá oferecer uma experiência formativa atualizada para que os inscritos “consigam integrar novos dados na gestão dos seus doentes bem como comportamentos na consulta”, afirma Luís Madeira. No geral este vem preencher uma lacuna na formação dos especialistas de MGF para a saúde mental, “a saúde mental e a doença mental são áreas fulcrais do cuidado médico. Por um lado, as competências relacionais constituem um pilar da relação médico doente. Por outro, a intervenção precoce em psiquiatria - com referenciação imediata - tem impacto no prognóstico clínico e na recuperação funcional. Ainda, vivemos numa sociedade acelerada onde com frequência quadros de Síndrome de Burnout e reações de adaptação com ansiedade caracterizam os pedidos de consulta – estes merecem o nosso maior cuidado, mas também uma intervenção psicossocial e de comportamentos de vida para os quais os médicos têm de estar capacitados”, explica o psiquiatra e professor.

A especialista em MGF esclarece que “os serviços de saúde mental em Portugal ainda sofrem graves insuficiências a nível da acessibilidade e da qualidade, assim como os recursos atribuídos à saúde mental, que continuam a não dar resposta às necessidades atuais. Deste modo, pretende-se que os conhecimentos adquiridos neste curso possam ajudar os
médicos de família a aprofundar competências para entrevistar o doente, avaliar o
seu estado mental e estabelecer uma relação médico-doente efetiva, que lhes
permita definir as terapêuticas farmacológicas e não farmacológicas mais eficazes
nas diferentes formas de sofrimento mental.”

Sobre a importância da Medicina Geral e Familiar e o papel do médico especialista, o psiquiatra e professor, Luís Madeira destaca que “se por largos anos a Medicina Geral e Familiar foi maltratada pelas restantes especialidades parece hoje conquistar o lugar que lhe é devido - representar um cuidado integrado e integrador de vários aspetos de fronteira entre a medicina e a sociedade. Cabe ao médico, mais do que apenas o diagnóstico, oferecer respostas válidas às mais variadas inquietações que a cada momento vão sendo construídas pelos seus doentes. Algumas são médicas (de natureza psiquiátrica), outras contextuais, previsíveis e universais (luto, divórcio, desemprego), outras ainda surgem de novo na nossa sociedade (dependência de internet). Assim, a complexidade do cuidado em MGF exige hoje aos médicos que se capacitem muito para lá das competências técnico-científicas - sendo bons gestores da relação médico-doente, eficazes no estabelecimento de contratos terapêuticos e oferecendo um cuidado inter e transdisciplinar.”

A inscrições podem ser feitas em aqui.

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