×

Alerta

JUser: :_load: Não foi possível carregar o utilizador com o ID: 34880
Estudo português demonstra os benefícios de reduzir o consumo de sal no combate à hipertensão
DATA
17/10/2019 11:38:03
AUTOR
ETIQUETAS




Estudo português demonstra os benefícios de reduzir o consumo de sal no combate à hipertensão

No âmbito do programa “Menos Sal Portugal”, promovido pela CUF e pelo Pingo Doce, foi realizado, pela primeira vez no país, um estudo de intervenção populacional para avaliar o impacto do consumo de sal e potássio na saúde.

O estudo, “ReEducar – Reeducação para uma alimentação saudável”, coordenado por investigadores da Nova Medical School e da Faculdade de Medicina do Porto, veio reforçar que a diminuição de ingestão de sal e o aumento do consumo de potássio, em conjunto com a mudança dos padrões alimentares, promove uma redução da pressão arterial e tem potenciais benefícios cardiovasculares.

Os resultados apontam para uma redução da pressão arterial (índice SBP), em média, em 2,1 mm Hg aquando uma diminuição de ingestão de sal no plano alimentar diário. No grupo de indivíduos que consumiam mais sal ou possuíam pressão arterial mais elevada, a medida de cortar 0,6g de sal do cardápio diário permitiu uma redução de pressão arterial de 9 mm Hg.

O consumo excessivo de sal potencia o desenvolvimento de hipertensão, que afeta mais de 40% da população portuguesa e que, quando não controlada, contribui para a mortalidade por AVC ou enfarte do miocárdio. Num estudo português de 2014, intitulado PHYSA – Portuguese Hypertension and Salt Study, 23% dos indivíduos hipertensos não sabiam da sua condição e daqueles que sabiam um quarto não estava a ser medicado e só 42,5% tinha a tensão arterial controlada. Se ajustarmos estes números aos critérios atuais (2018), apenas 11,8% dos hipertensos terão um controlo adequado.

Na mesma investigação (PHYSA) verificou-se que os portugueses consomem, em média, 10,7g de sal todos os dias, o que é mais do dobro do recomendado pela Organização Mundial de Saúde, 5g para adultos (e 3g para crianças). De acordo com o estudo Global Burden of Disease (GBD), os hábitos alimentares inadequados dos portugueses são o segundo fator de risco que mais contribui para a mortalidade precoce.

Nesse sentido, a medida de cortar no sal pode ser suficiente para evitar o início da medicação hipertensora ou, se não for possível, reforçar o efeito da medicação já em curso. A par daquilo que tem sido observado por outros estudos internacionais, pequenas diferenças no índice SBP resultam numa significativa redução do risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares (a principal causa de morte na Europa): 10% na mortalidade por enfarte, 9% na mortalidade por doenças coronárias e 7% noutras causas de mortalidade.

O estudo “ReEducar” contou com 311 voluntários adultos, de entre 1500 candidaturas, os quais foram acompanhados durante as 12 semanas consecutivas em que integraram um programa de reeducação alimentar para diminuírem a ingestão de sal, seja por via de consultas nas unidades hospitalares da CUF, seja por via de aconselhamento nutricional durante as compras no supermercado.

O objetivo é sensibilizar todos os portugueses a melhoria dos seus hábitos alimentares, incluindo a redução do consumo de sal, preferencialmente para um nível inferior a 5g. Este ato, que pode ser facilitado pelo uso de alternativas como ervas aromáticas, promove uma redução de mortalidade por AVC em 23% e por doença cardiovascular em 17%. Por esse motivo, foram criadas, ainda no âmbito do programa “Menos Sal Portugal”, saquetas de 5g de sal e colheres pitada com essa capacidade máxima para marcar o Dia Mundial da Alimentação.

Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve
Editorial | Gil Correia
Urgências no SNS – só empurrar o problema não o resolve

É quase esquizofrénico no mesmo mês em que se discute a carência de Médicos de Família no SNS empurrar, por decreto, os doentes que recorrem aos Serviços de Urgência (SU) hospitalares para os Centros de Saúde. A resolução do problema das urgências em Portugal passa necessariamente pelo repensar do sistema, do acesso e de formas inteligentes e eficientes de garantir os cuidados na medida e tempo de quem deles necessita. Os Cuidados de Saúde Primários têm aqui, naturalmente, um papel fundamental.