Vírus pólio 3 oficialmente erradicado coloca a poliomielite mais perto de ser eliminada
DATA
24/10/2019 12:13:33
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Jornal Médico
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Vírus pólio 3 oficialmente erradicado coloca a poliomielite mais perto de ser eliminada

Celebra-se hoje o Dia Mundial da Poliomielite e a Organização Mundial de Saúde (OMS) veio declarar a erradicação de um dos tipos deste vírus, o pólio 3, cuja evidência de circulação não existe desde 2012. Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), é um dia histórico no combate a esta doença contagiosa potencialmente fatal.

Como o vírus pólio 2 também já está erradicado desde 2015, sobra apenas um tipo – o 1. Esta forma de poliomielite está confinada a três países, Afeganistão, Paquistão e Nigéria, onde existem algumas dezenas de casos.

A diretora da DGS, Graça Freitas, em declarações à Lusa, explica que “são países profundamente pobres, com conflitos há muitos anos e são países extensos, remotos, onde não é fácil chegar ajuda externa”. Avança ainda que “quando estas duas bolsas de vírus pólio 1 forem erradicadas, pode então dizer-se que deixou de haver pólio no planeta”.

Graça Freitas acredita que “é uma questão de tempo”. Contudo, salienta a importância de os restantes países não se descuidarem neste “combate por passos (…), organizado à escala mundial com muitos, muitos e muitos milhões de euros investidos em vacinação e na logística dessa vacinação”.

Mesmo nos países onde a doença não existe, as medidas de combate à doença, sobretudo pela vacinação, têm de ser asseguradas para não desfazer o trabalho já realizado. Caso contrário, “tapamos de um lado e destapamos do outro”, defende a diretora da DGS.

Em Portugal, a doença foi responsável, em média, por cerca de 300 casos de poliomielite em crianças e 30 mortes, todos os anos, no período de 1950 a 1975. Foi através de “uma campanha enorme” do Programa Nacional de Vacinação, em 1965, que a doença foi enfrentada: no espaço de um ano, três milhões de crianças menores de nove anos foram vacinadas. Este ato de vacinação em força fez com que “uma doença que era assustadora para toda a gente praticamente desaparecesse”, sendo que fez tanto efeito que o último caso de pólio selvagem aconteceu em 1986, refere Graça Freitas.

A luta contra a doença, que “matava milhares e milhares de crianças em todo o mundo e deixava milhares e milhares com paralisia para o resto da vida”, foi lançada em força, pela primeira vez, por via de “campanhas enormes na televisão para recolha de fundos” para a investigação na procura de uma vacina, recorda. O investimento foi impulsionado pelo presidente norte-americano Franklin Roosevelt, que tinha sido vítima da doença e estava numa cadeira de rodas, e permitiu a descoberta, na década de 50 do século passado, de duas vacinas que foram introduzidas à escala mundial.

Em 1988, Portugal aderiu também à iniciativa global de Erradicação da Poliomielite, comprometendo-se a eliminar a doença e a circulação do vírus no país. O Programa Nacional de Erradicação da Poliomielite foi implementado em 1995, cuja avaliação é feita anualmente pela Comissão Nacional para a Certificação da Erradicação da Poliomielite e pela Comissão para a Certificação da Erradicação da Poliomielite da Região Europeia, da OMS.

Desde 2018, que esta comissão da OMS analisou Portugal como um país de baixo risco de importação de casos da doença. Este resultado foi alcançado pela aposta no programa de erradicação e no de vacinação, ambos coordenados pela DGS, em articulação com os serviços de saúde.

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Editorial | Jornal Médico
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