Manuel Carrageta: “A IC é uma perigosa epidemia”
DATA
05/11/2019 16:21:27
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Jornal Médico
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Manuel Carrageta: “A IC é uma perigosa epidemia”

Consciente de que a insuficiência cardíaca (IC) é uma “perigosa epidemia”, a Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC) procurou sensibilizar a população portuguesa, ao longo do mês de maio, para o impacto desta doença a nível nacional. O mote da campanha Maio, Mês do Coração – “Insuficiência cardíaca: Liberte o seu coração” – pretende alertar para este problema crescente que afeta cerca de 400 mil portugueses e mais de 15 milhões de pessoas em toda a Europa.

O presidente da FPC, Manuel Carrageta, lembra que “as doenças cardiovasculares são a principal causa de doença, morte e custos em saúde da população portuguesa”, apesar dos progressos diagnósticos e terapêuticos das últimas décadas.

No que respeita à IC, esta “é hoje a principal causa de internamento hospitalar dos indivíduos com mais de 65 anos, prevendo-se que venha a atingir um em cada cinco portugueses”, refere o cardiologista, que justifica este dado com o envelhecimento da população e doenças associadas, como a hipertensão arterial (HTA) e a obesidade.

A IC caracteriza-se pela dificuldade do coração em bombear o sangue até às diversas partes do corpo. Isto compromete o bom funcionamento e a satisfação das necessidades do organismo. O presidente da FPC explica que “para compensar, em alguns casos, o coração dilata-se; noutros casos as paredes do ventrículo esquerdo tornam-se progressivamente mais espessas (aumenta a massa muscular) para ganhar força para impulsionar mais sangue. Estas alterações compensatórias ajudam durante algum tempo, mas progressivamente o músculo cardíaco vai-se degradando e perdendo a força”.

De acordo com o especialista, outros meios de compensação envolvem os rins que, através da retenção de água e consequente aumento do volume circulante, estimulam o coração. A longo prazo, os líquidos “vão-se acumulando nos tornozelos, nas pernas, no fígado, nos pulmões, e por fim em todo o corpo, causando inchaço, falta de ar, cansaço e aumento de peso", esclarece.

Os sintomas da IC – essencialmente a fadiga, falta de ar e inchaço nas pernas – nem sempre são valorizados quer pelos doentes, quer pelos profissionais de saúde. De acordo com Manuel Carrageta, esta atitude – mais vincada na população idosa e, por vezes, nos próprios médicos – leva ao atraso no diagnóstico e tratamento, aumentando o risco de morte. É neste sentido que a FPC reforça a necessidade de “campanhas preventivas mais agressivas e melhor dirigidas”, por forma a melhorar os níveis de diagnóstico e de controlo.

“Apesar dos progressos no tratamento farmacológico e no desenvolvimento de novos dispositivos, o prognóstico da IC é sombrio”, destaca o especialista, na medida em que somente cerca de metade dos doentes estão vivos cinco anos após o diagnóstico. A IC é responsável por duas a três vezes mais mortes do que o cancro da mama e o cancro do cólon.

Para combater esta doença, a FPC preconiza uma aposta na educação escolar para estilos de vida saudáveis, estabelecendo programas de educação alimentar e um serviço de refeições saudáveis nas cantinas. E é preciso ir mais além. Neste sentido, o médico advoga que é imperiosa “uma revolução sociocultural que mude o desporto de uma atividade competitiva, praticada por um punhado de jovens atletas e com uma multidão sentada a assistir, para atividades com a participação de toda a comunidade”, a criação de mais instalações adequadas, passando por acesso a pistas de marcha e de ciclismo e espaços verdes”.

A FPC apela ainda a todos os cidadãos à priorização da sua saúde e à adoção de estilos de vida saudável que passem pela atividade física regular e por um regime alimentar variado, característico da dieta mediterrânea, rico em hortaliças, fruta, pão e cereais, peixe, carne de aves, azeite e vinho às refeições. 

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