Relatório OCDE: Portugal é dos países com maior percentagem de infeções nos cuidados continuados
DATA
07/11/2019 12:50:51
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Jornal Médico
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Relatório OCDE: Portugal é dos países com maior percentagem de infeções nos cuidados continuados

Em Portugal, 5,9% dos doentes em cuidados continuados registaram, no período 2016-2017, pelo menos uma infeção associada aos cuidados de saúde. É um valor acima da média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que é de 3,8%.

Os dados, revelados hoje pelo relatório “Health at a Glance”, da OCDE, relativo a esse período, demonstraram que Portugal está entre os países onde o problema é mais ocorrente, como Dinamarca, Grécia e Espanha, todos com percentagens acima dos 5%. Do outro lado, com médias inferires à média da OCDE, estão países como a Lituânia, Hungria, Suécia, Alemanha e Luxemburgo (com menos de 2%).

O documento aborda ainda a questão do aumento de bactérias resistentes a antibióticos. Segundo os seus dados, Portugal tem a percentagem mais elevada dos países analisados no respeitante ao isolamento destas bactérias no contexto de cuidados continuados – 46,2%, praticamente o dobro da média da OCDE (26,3%). Esse valor médio é “quase equivalente aos níveis observados em hospitais de cuidados intensivos, onde a resistência a antibióticos é considerada uma grande ameaça”.

O maior número de infeções é agravado pelo aumento das bactérias resistentes a antibióticos por poder resultar em infeções difíceis ou mesmo impossíveis de tratar. Para piorar a situação, o relatório refere que muitos doentes nestas unidades de cuidados continuados são “mais frágeis e mais doentes”, apresentando “vários outros fatores de risco para o desenvolvimento de ocorrências que põem em causa a sua segurança, incluindo infeções associadas aos cuidados de saúde e úlceras de pressão”.

Quanto ao aparecimento de úlceras de pressão, Portugal também se encontra numa posição precária, com 13,1%, perfazendo mais do dobro da média da OCDE (5,3%). De acordo com a organização, a existência destas úlceras pode levar a complicações e custar até 170 euros por dia em cuidados continuados.

O envelhecimento da população é um fator a considerar, uma vez que uma parte considerável – uma média de 10,8% na OCDE – das pessoas com 65 ou mais anos precisou de cuidados continuados em 2017, representando um aumento de 5% em relação a 2007. Em Portugal, a média de recurso a estes cuidados é menor, com 2%, embora no país haja um aumento dos cuidados continuados domiciliários, entre 2007 e 2017, em conformidade com a tendência internacional.

Posto isto, o relatório da OCDE alerta que “providenciar um atendimento seguro a esses utentes é um desafio fundamental para os sistemas de saúde”.

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