Álcool, tabaco, excesso de peso e poluição atmosférica são fatores de risco para a saúde em foco no relatório da OCDE
DATA
07/11/2019 16:31:53
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Jornal Médico
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Álcool, tabaco, excesso de peso e poluição atmosférica são fatores de risco para a saúde em foco no relatório da OCDE

O relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) na área da saúde, divulgado hoje, mostrou que o consumo de álcool diminuiu em Portugal, embora continue a ser um dos países com níveis de ingestão mais elevados, bem como os hábitos de tabagismo. Já o excesso de peso e obesidade são realidades cada vez mais preocupantes. O documento destaca ainda o papel da poluição atmosférica, que foi responsável por 2.800 mortes em Portugal em 2016.

Recordando que “estilos de vida pouco saudáveis, nomeadamente fumar, o uso nocivo de álcool e a obesidade, são a causa de muitas condições crónicas de saúde, encurtando vidas e piorando a qualidade das mesmas”, o relatório “Health at a Glance 2019” avaliou quatro fatores de risco para a saúde – álcool, tabaco, excesso de peso e poluição atmosférica.

Entre 2007 e 2017, 27 países da OCDE registaram uma redução no consumo médio de álcool, com as maiores descidas, de três ou mais litros, verificadas em Israel, Estónia, Grécia e Dinamarca. Os dados, baseados nas vendas, indicam que, em média, a ingestão baixou de 10,2 litros por adulto em 2007 para 8,9 litros em 2017, o equivalente a quase 100 garrafas de vinho.

Portugal também reduziu o seu consumo de álcool em cerca de dois litros. Não obstante, com uma média de 10,7 litros por ano, é o 11º país que mais ingere este produto. O país onde o consumo é mais elevado é a Lituânia, seguido por Áustria, França, República Checa, Luxemburgo, Irlanda, Letónia e Hungria, todos com mais de 11 litros por pessoa.

Relativamente ao tabagismo, as taxas diárias diminuíram na maioria dos países da OCDE na última década, de uma média de 23% em 2007 para uma de 18% em 2017. Apesar desse resultado positivo, o relatório descreve que 18% dos adultos ainda fuma diariamente e que, à exceção da Islândia, os homens incorrem neste hábito mais do que as mulheres em todos os países da OCDE, numa média de 23% e 14%, respetivamente. As taxas são muito variáveis, mas Portugal encontra-se abaixo da média da OCDE, com 16,8% de fumadores diários com mais de 15 anos.

O excesso de peso e a obesidade são um problema crescente na grande parte dos países da OCDE. O documento afirma que 56% dos adultos estão numa destas categorias e que os países onde a condição é mais gravosa são Chile, México, Estados Unidos, Finlândia, Portugal e Nova Zelândia, que verificam taxas de obesidade consideravelmente superiores à média da OCDE, de 55,6%. Pelo contrário, o Japão, a Coreia do Sul e a Suíça estão entre os países com resultados mais baixos.

Dentro da população com mais de 15 anos, Portugal tem 67,6% pessoas com excesso de peso, incluindo obesidade. No caso dos mais novos, são 31,7% das crianças portuguesas com idades entre os cinco e os nove anos a sofrer deste problema, acima da média da OCDE (31,4%). Nesta última faixa etária, os rapazes são os mais afetados, com diferenças superiores a 10 pontos percentuais na China, Coreia do Sul, Polónia, República Checa e Eslováquia; em Portugal e no Reino Unido, esta distinção não é tão percetível, com diferença de menos de um ponto percentual entre os dois sexos.

O outro fator de risco examinado, a poluição atmosférica, revelou ser a causa de cerca de 2.800 mortes em Portugal em 2016, sendo a média nacional (28,3 mortes por cada 100 mil habitantes) inferior à da OCDE.

No relatório lê-se que a “poluição atmosférica é já uma das principais causas de morte e incapacidade”, cujo “impacto no futuro poderá aumentar se não houver uma ação política adequada”. Com uma média de 40 mortes por 100 mil habitantes nos 36 países da OCDE, a organização afirma que a Letónia, Hungria e Lituânia são os países com mais casos de morte – mais de 80 por cada 100 mil. No caso dos parceiros da OCDE Índia e China, a situação é particularmente preocupante com cerca de 140 mortes por 100 mil habitantes. Entre os melhores resultados está a Nova Zelândia (13,6), o Canadá (14,7) e a Austrália (16,8).

Os valores são calculados a partir de informações sobre o risco de doença resultante da exposição à poluição, tendo em conta a concentração média anual de partículas a que a população está exposta e a as mortes ou anos de vida ajustados por incapacidade por doença.

Antecipando que a poluição do ar possa vir a causar mundialmente entre seis a nove milhões de mortes prematuras, por ano, até 2060, a OCDE defende a necessidade de políticas intersetoriais – a nível municipal, da indústria, do ambiente, dos transportes e da agricultura – para minimizar os efeitos das alterações climáticas.

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