Investigador de Coimbra desenvolve dispositivo reutilizável e vestível para realização de EEG
DATA
12/11/2019 11:45:30
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Jornal Médico
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Investigador de Coimbra desenvolve dispositivo reutilizável e vestível para realização de EEG

Foi hoje anunciado um novo dispositivo eletrónico vestível (wearable, em inglês), desenvolvido por um investigador da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), no âmbito da sua tese de mestrado. De baixo custo e reutilizável, a tecnologia vem alterar o panorama de realização de eletroencefalogramas (EEG).

Baseado em eletrónica flexível, o dispositivo é composto uma banda têxtil onde estão inseridos elétrodos não rígidos ultrafinos, produzidos através de uma tinta específica. Como explica o criador Manuel Reis Carneiro, do Instituto de Sistemas e Robótica (ISR), esta tinta, desenvolvida pelo laboratório de “Soft and Printed Microelectronic” (SPM-UC) do ISR para outro projeto, facilita a interface entre o aparelho eletrónico e a atividade cerebral.

Dada a flexibilidade, a tecnologia permite criar circuitos eletrónicos elásticos e maleáveis e possibilita “a realização de exames ao longo de muito mais tempo, pois não se torna desconfortável, garantido a mesma qualidade dos atuais dispositivos utilizados na medicina”, afirma o investigador. O “EEG vestível” tem ainda a vantagem de poder ser colocado no utente de forma simples e rápida sem requerer um grande know-how.

De acordo com uma nota divulgada pela FCTUC, a promessa é de que no futuro a realização de um EEG seja “muito mais simples e cómoda para o paciente”, contrastando com o uso atual de sistemas que “são de grande dimensão, usam muitos fios, demoram tempo a preparar e exigem um técnico especializado, confinando a monitorização de pacientes a um laboratório ou hospital”.

Apesar de a ferramenta ter sido pensado para utilização em serviços de urgência para rapidamente se “ficar a conhecer a condição do doente”, Manuel Reis Carneiro está a explorar o potencial de aplicação da tecnologia de próxima geração. “Ao permitir a interface homem-máquina, por exemplo, uma pessoa tetraplégica consegue controlar uma cadeira de rodas através da atividade cerebral”, menciona.

O facto de ser um dispositivo sem fios e de muito baixo custo – a banda têxtil custa entre um e dois euros –, o investigador acredita que pode ser usado em telemedicina, para realização de exames médicos em locais distanciados, com uma análise remota de um médico especializado, num hospital. Salienta ainda que “pode ainda ser aplicado em casos em que é necessária a monitorização contínua da atividade elétrica do cérebro”.

“O dispositivo está a funcionar, é eficaz na aquisição de atividade cerebral, é simples e barato”, refere o criador. Espera agora, em conjunto com a sua equipa de investigação, alcançar “validação clínica tendo em vista a colocação no mercado” deste produto.

O projeto, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) e pelo Programa Carnegie Mellon Portugal (CMU Portugal), foi distinguido recentemente no concurso de ideias "Fraunhofer Portugal Challenge 2019". A tese foi orientada por Mahmoud Tavakoli, docente e diretor do Laboratório de "Soft and Printed Microelectronic" do ISR.

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