OCDE recomenda mudanças nos medicamentos para evitar contaminação de águas
DATA
13/11/2019 17:05:08
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Jornal Médico
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OCDE recomenda mudanças nos medicamentos para evitar contaminação de águas

Caracterizando a contaminação de águas com fármacos como “uma preocupação ambiental crescente”, com efeitos negativos para a saúde, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) recomendou hoje mudanças no fabrico e prescrição de medicamentos.

Segundo o relatório divulgado hoje pela OCDE, “cerca de dois mil ingredientes farmacêuticos ativos são administrados em todo o mundo em medicamentos de receita médica, de venda livre ou em medicamentos veterinários”, dos quais há resíduos que vão parar às águas superficiais e subterrâneas.

Tendo esse facto em conta, o objetivo desta proposta da organização internacional é tentar controlar a disseminação de fármacos nas águas residuais – por causa de “águas residuais domésticas não tratadas e efluentes de estações de tratamento de águas residuais municipais” – para evitar que penetrem no solo, água potável e cadeia alimentar.

A OCDE alerta que, mesmo em concentrações baixas, existe interferência com os ecossistemas: por exemplo, os contracetivos orais provocam a feminização dos peixes e anfíbios e as drogas psiquiátricas como a fluoxetina tornam os peixes mais imprudentes e vulneráveis aos predadores. 

Para além das questões ambientais, “a utilização excessiva e libertação de antibióticos na água agrava o problema da resistência microbiana, declarada pela Organização Mundial de Saúde como uma crise de saúde global e urgente, que se prevê vir a causar mais mortes do que o cancro em 2050”, lê-se no relatório.

Por esses motivos, a OCDE elabora uma série de recomendações: critérios ambientais mais apertados nas autorizações dadas a medicamentos de alto risco ambiental (como antibióticos e do foro edócrino); redução do uso e libertação de fármacos, quando não são necessários, proibindo até ou restringindo o uso preventivo de antibióticos; planos de segurança da água para consumo humano com controlo da presença de fármacos; mecanismos de deteção na água para prevenir contaminações; restrição do uso de hormonas de crescimento na criação de gado e aquacultura; combate à venda ilegal de medicamentos e à automedicação com farmacêuticos de elevado risco ambiental.

A aposta deve passar ainda, de acordo com o documento, por medidas de prevenção adotadas no princípio do ciclo de vida do medicamento para “benefícios mais alargados, eficazes e prolongados”.

Referindo que não existe um “responsável único” pelos poluentes farmacêuticos que chegam às águas”, a organização defende a garantia de uma “recolha apropriada de resíduos de medicamentos”, abordando profissionais de saúde, veterinários, consumidores e agricultores, para tornar estas medidas mais eficientes. Em alguns países – França, Alemanha, Holanda, Suécia e Reino Unido – já há mecanismos para pôr todos estes setores em contacto para enfrentar o “desafio farmacêutico”.

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Editorial | Jornal Médico
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Se não os tivéssemos seria bem pior! O reforço do Programa Operacional da Saúde com 800 milhões de euros pode ser entendido como sinal político de valorização do setor da saúde. Será uma viragem na política restritiva? O Serviço Nacional de Saúde (SNS) de 40 anos precisa de cuidados intensivos! Há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções. É urgente pensarmos na nova década com rigor e disponibilidade sincera.

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