Bastonário da Ordem dos Médicos: “O principal problema do SNS é o capital humano”
DATA
13/11/2019 18:34:35
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Jornal Médico
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Bastonário da Ordem dos Médicos: “O principal problema do SNS é o capital humano”

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, perspetiva a falta de médicos especialistas na urgência do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte (CHULN) como alarmante, defendendo que a sua resolução é essencial para a maior urgência do país não fechar.

Explicando que as equipas existentes não têm especialistas suficientes, o representante apela a que se ouça o “grito de alerta” dos chefes de serviço que assinaram um documento onde se escusam de responsabilidade por potenciais incidentes provados por falta de médicos. A necessidade de especialistas tem ainda impacto a nível dos jovens médicos internos que precisam de mais apoio destes profissionais.

As declarações, aos jornalistas da Lusa, decorreram de uma visita ao Hospital de Santa Maria – considerado o último recurso permanente para receber doentes mais complexos –, cuja afluência chega a pelo menos 600 utentes por dia. A urgência do Hospital de São José não fica muito atrás, a receber 300 a 400 pessoas diariamente. Para Miguel Guimarães este facto torna urgente a solução para o problema de “equipas desfalcadas” para manter estes serviços que “servem uma população imensa” abertos.

“O principal problema do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é o capital humano”, afirma o bastonário. Por isso, no seu parecer, a solução de fundo passa por contratar mais médicos e tornar mais atrativo o trabalho nos hospitais para os jovens especialistas, atentando ainda para a questão das vagas de internato para novos médicos: “se as vagas que existem para especialidades médicas fossem apenas para os médicos formados nas escolas médicas em Portugal, tinham todos acesso a especialidades e ainda sobravam vagas”, apontando para os números de profissionais de outros países europeus que fazem o exame de especialidade em Portugal – 300 a 400 por ano.

O percurso para melhorar a situação, de acordo com sugestões feitas pelos médicos da Urgência ao representante, passa por repor as 12 horas dos turnos de trabalho na urgência, em vez das 18 horas atuais, e fazer com que mais horas de trabalho efetivo contem como extraordinárias, com o devido pagamento – em 2018, os médicos portugueses fizeram seis milhões de horas extraordinárias que não foram pagas.

Os médicos do SNS “estão a ganhar muito menos do que ganham os médicos contratados por empresas de prestação de serviços para fazer exatamente o mesmo serviço, às vezes sem terem especialidade”, adiantou o bastonário da OM. Reconhecer esta realidade e enfrentá-la é “repor a justiça em pessoas com igual responsabilidade no serviço de urgência”, acrescenta.

Quanto aos números de pessoal, Miguel Guimarães assegura que “não adianta nada os políticos dizerem que temos mais médicos e mais enfermeiros no SNS” pois “as necessidades de saúde aumentaram muito nos últimos anos e a esperança média de vida e a carga de doença crónica também aumentaram bastante”.

O bastonário relembra ainda que a opção de agregar urgências numa só unidade hospitalar para resolver carências resulta apenas quando se trata de “urgências mais pequenas” e só para algumas especialidades – como cirurgia vascular ou oftalmologia, e não medicina interna, a principal carência de Santa Maria.

Recorde-se que hoje saiu um despacho do Ministério da Saúde a decidir que o número de profissionais não irá aumentar em 2020, apenas com algumas exceções. Ainda no mesmo dia, a ministra da saúde e a administração do Hospital Garcia de Orta, em Almada, foram ao parlamento prestar esclarecimentos sobre o encerramento da urgência pediátrica no período noturno.

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