8ª edição do Prémio Saúde Sustentável Sanofi versa sobre impacto da revolução digital no setor da saúde
DATA
26/11/2019 12:30:11
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Jornal Médico
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8ª edição do Prémio Saúde Sustentável Sanofi versa sobre impacto da revolução digital no setor da saúde

Perspetivando a tecnologia como oportunidade para enfrentar os atuais desafios atuais de sustentabilidade no setor da saúde, o diretor geral da Sanofi Portugal, Francisco Del Val, destaca a necessidade de criar uma cultura de diálogo e de sinergias para acelerar inovação. No sentido de contribuir ativamente para esse processo e salientando o papel das farmacêuticas nesta evolução, a Sanofi promove o Prémio Saúde Sustentável. 

Em conjunto com o Jornal de Negócios e com o apoio da everis Portugal, este ano, a oitava edição ocorreu no passado dia 21 de novembro, no Museu do Oriente, em Lisboa, onde se discutiu o impacto da revolução digital no setor da saúde e se galardoou projetos que melhoram a prestação de cuidados.

Na oitava edição do Prémio Saúde Sustentável, a discussão do impacto da revolução digital no setor da saúde faz-se acompanhar da aposta da própria Sanofi nessa digitalização. Com um painel apresentado pela Head of Innovation Center da Sanofi, Isabelle Vitali, ‒ “A Global eHealth Strategy for Sustainability” ‒ a empresa dá a conhecer o trabalho que tem vindo a desenvolver para transformar a sua atuação, vendo o meio digital como uma “nova oportunidade para trabalhar de forma diferente e com nos players”.

Referindo que a expressão “Digital Health” tem muitas definições, Isabelle Vitali afirma que para a Sanofi esta é descrita como “uma convergência das ciências na área da biologia, engenharia e física para melhorar e personalizar os cuidados de saúde”, por exemplo, através de Drugs+, terapêuticas digitais e provisão de cuidados de saúde virtuais. A oradora argumenta que a adoção de soluções digitais no âmbito da saúde é cada vez mais premente pela presença de cinco tendências do setor: os sistemas de saúde têm dificuldade em controlar os custos crescentes, o tratamento farmacológico muitas das vezes não é suficiente, os utentes estão mais envolvidos no controlo da sua própria saúde (assunto abordado noutra sessão sobre o Patient 2.0), os reguladores estão a permitir uma adoção mais rápida, e a tecnologia está a evoluir a um passo muito significativo. Apesar de, por vezes a complexidade e a dúvida dificultarem o processo de inovação, a responsável apela ao passado histórico de Portugal enquanto país explorador para que não se deixe demover.

Nesse sentido, a responsável pela inovação da Sanofi referiu alguns exemplos deste trabalho: a plataforma Darwin que recolhe informação qualitativa sobre o doente, seja por ele gerada, seja através de estudos e inquéritos, a aplicação Onduo para os doentes com diabetes e a aplicação Happify, desenvolvida com uma start up, dedicada à esclerose múltipla.

Fomentando a criação de parcerias, a Sanofi convidou o VP Global Solutions da Google, Pedro Pina, para apresentar aquele que poderá ser o papel da multinacional nesta revolução digital da saúde. Por ser o motor de busca mais utilizado, a acumulação de informação permite perceber que as pessoas têm uma relação cada vez mais estreita e ativa com a saúde. Através de “biliões de pesquisas compreendemos preocupações e comportamentos das pessoas e isso pode ser terrivelmente importante nos cuidados de saúde”, afirma Pedro Pina. Numa relação de “simbiose e fusão da nossa vida online”, a Google regista “biliões de pesquisas na área da saúde”, seja na procura do melhor médico, do melhor hospital, de informação sobre determinadas medicações e tratamentos e/ou doenças, entre outros.

Reconhecendo o papel da Google como estando no início e não tendo a pretensão de “resolver todos os problemas do mundo” – sentidos a nível de qualidade, acesso, custo, burnout dos profissionais, tecnologia –, o representante afirma que a Google pode ser relevante em três áreas: na democratização do conhecimento e acesso a dados; na libertação de tempo dos profissionais de saúde ao facilitar o processamento de informação, permitindo estar mais com os doentes; e no apoio ao desenvolvimento de descobertas científicas.

Tendo no centro a inteligência artificial (IA), a Google pode ajudar na deteção de certas doenças e falsos positivos, na assistência aos médicos, produzindo previsões e recomendações para os doentes, no reconhecimento de voz para detetar patologias como a depressão e permitindo, com consentimento, a transcrição de consultas em tempo real, evitando desperdício de tempo, na visualização do genoma humano, etc. Concedendo que existe a ideia de que a IA é uma “caixa preta”, o orador explica que a “Google Health, com várias iniciativas e departamentos, permite aos médicos aceder aos algoritmos que levaram a determinado resultado”.

O evento foi complementado ainda com um debate, onde várias personalidades com experiência relevante na área da saúde participaram. Conscientes de que a revolução digital não vai abrandar, os intervenientes veem sob diferentes perspetivas a forma como a tecnologia pode ou deve ser incorporada na saúde. Apesar de todos compreenderem a oportunidade de funcionar como ferramenta para reduzir custos, controlar fraudes e facilitar alguns dos encargos dos médicos, a divergência de opiniões faz-se notar sobretudo no que toca à proximidade e empatia na relação médico-doente, nas questões de cibersegurança (embora não seja exclusiva da saúde) e nos desafios que pode trazer em termos de desigualdade.

Por se tratar de um desafio complexo, a ex-ministra da Saúde Maria Belém Roseira diz ser necessário não esquecer o contexto em que o individuo está inserido, bem como conhecer os recursos existentes para se poder delinear estratégias e evitar potenciais assimetrias no acesso. No seu parecer, a desigualdade deve ser combatida promovendo a literacia digital para todos.

Reforçando esta ideia o secretário de Estado para a transição digital, André Aragão de Azevedo, afirma ser essencial prevenir a “infoexclusão para não haver um país a duas velocidades diferentes”. Ainda assim, relembrando os desafios atuais – constrangimentos económicos, falta de recursos humanos, envelhecimento da população, entre outros – vê a resposta na inovação e na “inteligência artificial como forma de potenciar a capacidade humana na saúde” ao apoiar e facilitar a tomada de decisão dos profissionais, pelo que adverte para a necessidade de a regulação ter uma abordagem construtiva e não ser um “bloqueio à inovação”.

“Estamos ‘ensanduichados’ entre pessoas e assimetrias criadas pela tecnologia e política à moda antiga”. Quem o diz é o ex-ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes, acreditando que Portugal não está a acompanhar as transformações e a responder aos problemas de forma adequada. Contudo, não vê neste processo digital uma substituição do papel dos profissionais, pois a empatia deve estar sempre presente.

Já para o economista José Mendes Ribeiro, paradoxalmente, “a telessaúde irá dar uma resposta mais humanizada”. Daí incitar a “fazer da saúde um grande protótipo made in Portugal que inspire os nossos parceiros europeus”, insistindo que este projeto não é “para daqui a 10 anos, mas para agora”.

Quanto à cerimónia de entrega de prémios, a decisão coube ao júri tendo em conta os critérios desenvolvidos pela everis Portugal, sobretudo três, como sejam o impacto das iniciativas no dia a dia, a responsabilidade ambiental e económica e o caráter inovador. A entrega ocorreu em cinco categorias diferentes: cuidados primários, projetos integrados especiais, cuidados continuados, prevenção e promoção da saúde e cuidados hospitalares. Contando este ano com um número de candidaturas recorde – 105 –, foi criada uma shortlist de 15.

Para além destes prémios, foram apresentadas várias menções honrosas na área de caráter inovador, responsabilidade ambiental, sustentabilidade económica, experiência do cidadão, reabilitação domiciliária e o Prémio Personalidade foi atribuído à professora Catarina Resende de Oliveira.

Ambicionando inspirar os outros, “o prémio é um incentivo a todos os profissionais de saúde a não esmorecerem perante os desafios e a fazerem mais e melhor”. As palavras são do presidente do júri, Jorge Sampaio, para quem a “excelência da saúde é fruto do trabalho, sem que o elemento humano seja descurado”.

No fecho desta oitava edição, a secretária de Estado Adjunta da Saúde, Jamila Madeira, considerando o debate anterior, lançou o desafio à criação de duas novas categorias: “literacia em saúde” e “cuidados paliativos”. Para a responsável, “não há saúde sem uma mão social”, pelo que “apesar dos apesares”, o motor e mais valia dos sistemas de saúde são as pessoas. Nesse sentido, estes prémios reconhecem os bons projetos e dão-lhes visibilidade e agradecem-lhes, “sem desvalorizar os complexos desafios da sustentabilidade”.

2020: Linhas de provocação de uma nova década com novas obrigações para novos contextos
Editorial | Rui Nogueira
2020: Linhas de provocação de uma nova década com novas obrigações para novos contextos

Este ano está quase a terminar e uma nova década vai chegar. O habitual?! Veremos! Na saúde temos uma viragem em curso e tal como há 40 anos, quando foi fundado o Serviço Nacional de Saúde (SNS), há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções.

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