Portugueses têm esperança de vida superior à média da UE, mas ainda há 600 mil sem médico de família
DATA
28/11/2019 17:28:24
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Jornal Médico
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Portugueses têm esperança de vida superior à média da UE, mas ainda há 600 mil sem médico de família

“A esperança média de vida em Portugal aumentou substancialmente na última década”, atingindo em 2017 os 81,6 anos, acima da média da União Europeia (UE), com 80,9. Não obstante, no início deste ano, 600 mil portugueses não tinham médico de família. Os dados são do relatório “Situação da Saúde na UE” de 2019, divulgado hoje em Bruxelas.

De acordo com o documento, este resultado na esperança de vida apresenta, no entanto, uma disparidade entre os sexos acima da média europeia. As mulheres portuguesas vivem em média mais 6,2 anos do que os homens, enquanto a nível europeu a diferença é de 5,2 anos.

Para explicar a subida na longevidade, o relatório refere a redução da taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares. Apesar disso, em Portugal, as principais causas de morte são os acidentes vasculares cerebrais e a doença cardíaca isquémica, só então seguidas de pneumonia, cancro do pulmão e cancro colorretal.

Neste âmbito, um terço das mortes em Portugal são atribuíveis a fatores de risco, sendo que 14% dizem respeito aos hábitos alimentares inadequados (UE 18%), 12% ao tabagismo (UE 17%), 11% ao consumo de álcool (UE 6%) e 3% aos baixos níveis de exercício físico, em linha com a média da UE.

Ainda que, a nível de acesso, Portugal possua um Serviço Nacional de Saúde universal e “um sistema de cuidados primários, capaz de manter os doentes fora dos hospitais quando isso se justifica” e embora o número de médicos de família tenha vindo a aumentar desde 2016, no início de 2019, 600 mil utentes – 5,8% da população – ainda não tinham nenhum atribuído.

Quanto aos recursos humanos, verifica-se no país uma subida constante do número de médicos e enfermeiros desde 2000. Em 2017, existiam cinco médicos habilitados (inclui “aqueles que já não exercem a profissão”) por cada mil habitantes, valor superior ao da média europeia de 3,6. De modo contrário, os 6,7 enfermeiros por cada mil cidadãos representam uma média abaixo da UE (8,4 por cada mil).

Outros aspetos considerados no documento são referentes ao número de camas de hospital por mil habitantes – 3,4 em Portugal e 5,1 na UE – e aos gastos do país per capita em cuidados de saúde, os quais eram 2.029 euros, 30% abaixo da média europeia (2.884 euros), em 2017.

O perfil traçado de cada país também tem em conta a perceção dos cidadãos sobre a sua própria saúde. No caso de Portugal, apenas metade da população reporta ser saudável, em contraste com a maioria da UE, onde a avaliação é positiva em dois terços dos adultos.

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Editorial | Jornal Médico
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