Modelo nacional que sinaliza nove mil crianças e jovens ao ano é elogiado pela OMS

A rede de equipas multidisciplinares existentes em todos os centros de saúde e hospitais com pediatria em Portugal foi elogiada pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Em 2018, o modelo nacional contabilizou cerca de nove mil situações de crianças em risco.

Criada em 2008 para responder a casos de maus tratos a nível de cuidados de saúde primários, mas também de cuidados hospitalares, a Rede Nacional de Núcleos de Apoio a Crianças e Jovens em Risco já sinalizou 70 mil crianças e jovens em risco desde 2009.

Segundo as declarações da coordenadora do Programa Nacional de Saúde Infantil e Juvenil, da Direção-geral de Saúde, Bárbara Menezes, à Lusa, a recolha de dados permite observar uma constante de cerca de nove mil casos a cada ano. A responsável refere que a maior parte das situações é resolvida com a participação da família em contexto do trabalho do núcleo, tendo apenas sido necessário encaminhar para as comissões de proteção de menores ou para os tribunais em cerca de 25% dos casos detetados.

Interessado no modelo e a participar no seminário “Saúde Infantil, Promoção e Prevenção”, hoje em Lisboa, o representante da OMS Yongjie Yon visitou ontem um desses núcleos, no Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Oeiras, com o intuito de as ficar a conhecer, percebendo o que são, para que servem e como funcionam. O ACES de Oeiras serve 250.489 utentes, dos quais 49.663 são crianças com idade entre os zero e os 18 anos.

Indo ao encontro daquilo que a organização mundial recomenda como prática no combate aos maus tratos destas faixas etárias mais jovens – “diferentes setores juntarem-se” –, Yongjie Yon afirma que “Portugal conseguiu e tem os resultados que mostram o impacto deste trabalho intersectorial”. Assim, defende que é importante recolher “informação para depois partilhar a experiência de Portugal noutros países”, argumentando que muitas vezes os países se mostram céticos quanto a esta política ao exporem dificuldades a nível de implementação e meios.

Atualmente, existem 289 núcleos em Portugal continental e Açores – 248 em centros de saúde e 41 em hospitais com atendimento pediátrico –, onde trabalham 1.050 profissionais de saúde no total. As equipas são constituídas por médicos, enfermeiros, técnicos de serviço social e psicólogos, todos com formação específica e que fazem consultadoria e prestam apoio às equipas de saúde familiares e às unidades hospitalares.

Bárbara Menezes esclarece que, embora nos cuidados de saúde primários já haja um sistema de informação com todo o processo clínico da criança e com as diretrizes de como se realiza a avaliação de risco familiar, a rede “precisa agora de uma recolha de dados mais fina, a par de uma formação constante e de investimento no tempo de atuação para cumprir as várias intervenções previstas”.

Doença Venosa

Isolamento social com apoio de proximidade e em segurança
Editorial | Jornal Médico
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O futuro tem hoje 5 dias! Inacreditável! Quem é que tem agenda para mais de 5 dias? A pandemia COVID-19 alterou profundamente a vida quotidiana, a prestação de cuidados de saúde e a organização dos serviços de saúde está totalmente alterada. O isolamento social é a orientação primordial de confrontação da pandemia. Mas é necessário promover o apoio de proximidade essencial e aprender a fazê-lo em segurança.

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