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Portugal com menos barreiras no acesso à saúde, mas com disparidades entre ricos e pobres
DATA
04/12/2019 14:55:06
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Portugal com menos barreiras no acesso à saúde, mas com disparidades entre ricos e pobres

Apesar de as barreiras no acesso à saúde estarem a diminuir em Portugal, ainda se verificam alguns entraves, sobretudo a nível da população de áreas rurais, para além de persistirem grandes disparidades entre os escalões de rendimento. Os dados são do relatório “Situação da Saúde na União Europeia (UE)” de 2019, onde se traça o perfil em Portugal.

Em 2017, 2,3% dos portugueses relatou ter necessidades de cuidados médicos não satisfeitas devido ao custo, à distância ou aos tempos de espera. Apesar de os casos terem diminuído desde 2014, mantêm-se acima da média europeia de 1,8%.

A maior parte destas ocorrências foi “precipitada por dificuldades financeiras”. Não obstante a diminuição da taxa de necessidades não satisfeitas por este motivo para as pessoas do quintil de rendimentos mais baixo entre 2014 e 2017, “a percentagem foi o dobro da média da UE em 2017 (4,6% em comparação com 2,3%)”.

Quanto a pagamentos diretos, observa-se que representam 27,5% das despesas totais de saúde em Portugal, acima da média europeia (15,8%). Apontando para uma “dependência excessiva” destes pagamentos diretos para o financiamento do sistema de saúde, o documento refere que isto “pode minar a acessibilidade e contribuir para empobrecer os agregados familiares”.

Nesse sentido, quanto ao perfil de Portugal, o relatório estima que “cerca de 8,1% dos agregados familiares tiveram despesas em saúde catastróficas em 2016”, sendo estas “muito mais elevadas para os agregados familiares do quintil de rendimentos mais baixos, alcançando cerca de 30 % (Gabinete Regional da OMS para a Europa, 2019)”.

Indicando que o número de camas de hospital tem vindo a diminuir no país durante a última década, o relatório informa que o número de camas por mil habitantes é “relativamente baixo (3,4) comparado com a média da UE (5,1). É esclarecido que, em parte, este valor é explicado pelo aumento da cirurgia ambulatória e pelo reforço da rede de cuidados continuados, para além do papel da “promoção da integração em comunidades dos doentes de saúde mental”, que tem ajudado a reduzir o número de camas das alas psiquiátricas.

Embora se destaque a modernização progressiva das infraestruturas mais antigas, a renovação das unidades de cuidados primários e a previsão de construção de quatro novos hospitais, o documento salienta que ainda existem algumas lacunas geográficas na prestação de cuidados de saúde. Os motivos prendem-se com a concentração de especialistas e cuidados ambulatórios especializados nas principais cidades, podendo representar uma barreira ao acesso para a população rural.

A "hiperventilação" dos Cuidados de Saúde Primários
Editorial | Joana Romeira Torres
A "hiperventilação" dos Cuidados de Saúde Primários
A Organização Mundial de Saúde alude que os Cuidados de Saúde Primários (CSP) são cruciais para a obtenção de promoção da saúde a nível global. Neste sentido, a Organização Mundial dos Médicos de Família (WONCA) tem estabelecido estratégias que têm permitido marcar posição dos mesmos na comunidade médica geral.

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