Hospital de São João assinou protocolo com Ordem dos Psicólogos para prevenir e reduzir risco psicossocial dos trabalhadores
DATA
05/12/2019 11:47:57
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Jornal Médico
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Hospital de São João assinou protocolo com Ordem dos Psicólogos para prevenir e reduzir risco psicossocial dos trabalhadores

Em 2018, a patologia do foro psicológico foi a segunda maior causa de condicionamento dos funcionários do Hospital de São João, no Porto. Nesse sentido, a instituição assinou ontem um protocolo com a Ordem dos Psicólogos para avaliar os riscos psicossociais, como burnout ou depressão, dos colaboradores.

No universo de 5.519 funcionários avaliados em termos de aptidão para o exercício de funções, o diretor de Serviço de Saúde Ocupacional do Centro Hospitalar e Universitário de São João (CHUSJ), Pedro Norton, afirma que cerca de 6% (334) estavam “condicionados” e que o nível de absentismo por doença natural abrangia 25% do total de trabalhadores.

Explicando que o número de indivíduos com “aptidão condicionada” é crescente, “fruto do envelhecimento da população”, o responsável aponta para a patologia musculoesquelética e a patologia do foro psicológico como os principais motivos. A última é a segunda maior causa de condicionamento, tendo sido diagnosticada em 67% dos profissionais, dos quais a maioria (79%) tinha depressão. Ainda assim, Pedro Norton, admite que a realidade pode ser “pior” se se tiver em conta que “muitos fatores de riscos psicossociais influenciam diretamente a patologia musculoesquelética”.

Em declarações aos jornalistas, o diretor do CHUSJ mencionou como riscos psicossociais não só o stress excessivo, mas também as situações de perda e luto experienciadas por estes colaboradores, o trabalho por turnos, a violência contra profissionais de saúde ou o assédio laboral.

Perante estes dados e a obrigatoriedade legal da redução de riscos psicossociais, a unidade hospitalar de São João já tinha criado o Serviço de Psicologia há cerca de mês e meio com o objetivo de ser uma mais valia a nível de intervenção, melhorando os serviços prestados aos utentes, cuidadores e profissionais de saúde. O diretor deste serviço, Eduardo Carqueja, explica que o plano de ação é desenvolvido a três níveis: prevenir nos casos onde ainda não há risco, mudar a forma como os trabalhadores e organizações respondem às exigências e tratar os funcionários em risco psicossocial.

Ao perspetivar o protocolo como “estruturante”, o responsável (enquanto secretário de estado Adjunto e da Saúde) pelo despacho que obrigou à redução de riscos psicossociais pelas instituições, Fernando Araújo acrescenta que este permite avaliar os riscos e “desenvolver estratégias para os mitigar”, ao serem utilizadas as melhores práticas disponíveis.

Na sessão de assinatura, durante a manhã, o bastonário da Ordem dos Psicólogos Portugueses, Francisco Miranda Rodrigues, sublinhou a importância desta parceria. Destacando que é a primeira vez que se assume “de forma tão explícita por parte de uma instituição pública desta dimensão, sem reservas, passos concretos para avaliar e empenhar na construção de um local de trabalho mais saudável”, o representante espera que o ato venha a servir de exemplo para outros.

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Editorial | Jornal Médico
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