António Massa: “Um programa rico e diversificado para três dias intensos de trabalhos”
DATA
05/12/2019 20:13:00
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Jornal Médico
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António Massa: “Um programa rico e diversificado para três dias intensos de trabalhos”

O vice-presidente da SPDV, António Massa, perspetiva três dias "intensos" de trabalhos no Porto, onde são esperados mais de 270 congressistas. Recentemente chegado de Angola, o responsável falou ao Jornal do Congresso sobre os projetos desenvolvidos pela SPDV nos PALOP, numa ótica de intercâmbio que configura mais-valias tanto para os dermatologistas africanos, como para os portugueses.

Com mais de 270 inscritos, a reunião magna da Dermatovenereologia nacional promete ser um evento muito rico e participado.

Assim espera o vice-presidente da SPDV, António Massa, para quem a 19.ª edição do Congresso oferece um programa “rico e diversificado”, prometendo três dias de trabalhos “longos, intensos e preenchidos”.

Habituado a estar envolvido na organização de eventos de grande envergadura – quer a nível nacional, quer europeu, no âmbito da Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia (EADV) –, o médico destaca alguns dos momentos-chave da especialidade a decorrer nos próximos tempos em Portugal: o EADV Resident Course – Tropical and Travel Dermatology, que decorre de 13 a 15 de dezembro, no Hotel Tivoli Oriente, em Lisboa; o 16th EADV Spring Symposium, a decorrer de 30 de abril a 2 de maio, no Centro de Congressos da Alfândega, no Porto.

A este propósito, o responsável salienta que “conseguir trazer estes grandes eventos para Portugal é fruto de muito trabalho por parte dos dermatologistas portugueses”.

Intercâmbio da SPDV com colegas da lusofonia

Recentemente chegado de Luanda – onde participou, em conjunto com o presidente da SPDV, Miguel Correia, no 3.º Workshop da Convenção de Dermatologia do Hospital Américo Boavida (principal hospital público e universitário da capital angolana) –, António Massa conta o que levou e o que trouxe na “bagagem” para a sua prática clínica.

No âmbito de um projeto que começou por ser pessoal, mas que hoje tem o cunho da SPDV, estes intercâmbios com os PALOP permitem uma troca de experiências entre profissionais, com mais-valias tanto para os médicos africanos bem como para os portugueses.

“Angola tem 30 dermatologistas para uma população de perto de 30 milhões de habitantes, que estão concentrados maioritariamente em Luanda, Lubango e também no Huambo. Os que estão em Luanda, trabalham nos hospitais e clínicas da cidade, têm uma prática clínica bastante significativa e desenvolvem uma Dermatologia de qualidade”, explica o vice-presidente da SPDV, acrescentando que nesta última visita a Luanda, os médicos da SPDV fez três palestras: preparações magistrais, organização de um consultório e um curso de Crioterapia. Durante mais de cinco horas falou da sua experiência clínica e partilhou dicas, numa sala com mais de 40 pessoas (entre dermatologistas e outros especialistas, nomeadamente pediatras). Destaque para crioterapia/criocirurgia, uma técnica que resolve muitas situações, desde lesões simples e frequentes (como molusco ou verrugas) a tumores, sem grande descoloração na pele negra (fotótipos 5 e 6), se utilizada cuidadosamente.

A visita contemplou também “cerca de cinco horas de trabalho na consulta externa do hospital”, em que a comitiva portuguesa procedeu ao tratamento com crioterapia de lesões pré-malignas e carcinomas da pele em perto de 30 doentes albinos e outros.

Ainda no âmbito do 3.º Workshop da Convenção de Dermatologia do Hospital Américo Boavida, e no dia seguinte, António Massa e Miguel Correia palestraram – entre as 9 e as 19 horas – para uma sala “bem composta, com mais de 100 pessoas”, sobre temas variados da Dermatologia Cosmética, eczema atópico (uma patologia dominante em Angola), atualização no tratamento da psoríase e acne. 

Desta viagem, António Massa destaca o “enorme espírito de cooperação, troca de partilhas e de experiências, bastante interessante e útil”, bem como a prática com fotótipos 5 e 6 que em Portugal não são tão comuns.

Em 2020, a SPDV regressará a Cabo Verde, “onde também já estivemos e encontrámos patologia diferente”, refere o dermatologista, lembrando que no ano passado, “um grupo de colegas portugueses deslocou-se a São Tomé no âmbito de um projeto de apoio à formação médica que tem tido continuidade impulsionada pelo Dr. Miguel Correia, o nosso presidente”.

Ainda ao abrigo deste intercâmbio com os PALOP, um grupo de colegas cabo-verdianos, de Angola e Moçambique virá a Portugal, para participar no 23.º International Update on Dermatological Treatment, que decorrerá a 13 e 14 de março de 2020, no Hotel Sheraton Porto. “No ano passado recebemos 21 destes colegas!”, sublinha o responsável.

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