“Quo Vadis Dermatologia?” propõe um olhar e uma reflexão sobre o futuro da especialidade
DATA
05/12/2019 20:28:24
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Jornal Médico
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“Quo Vadis Dermatologia?” propõe um olhar e uma reflexão sobre o futuro da especialidade

O último simpósio do Congresso – intitulado “Quo vadis Dermatologia?” e moderado por Rui Tavares Bello, Américo Figueiredo e António Pinto Soares – propõe um olhar e uma reflexão sobre o futuro da especialidade. Estendemos o desafio ao presidente e ao secretário-geral da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia, Miguel Peres Correia e Paulo Lamarão, que aqui nos traçam um panorama do que serão os anos vindouros da prática da Dermatologia em Portugal e no mundo.

Em debate, na última sessão do XIX Congresso Nacional de Dermatologia e Venereologia – que decorrerá amanhã, pelas 13h30 – estará o futuro da especialidade, nomeadamente os principais desafios diagnósticos e terapêuticos, bem como o valor da e em Dermatologia. Haverá ainda espaço para analisar o impacto da revolução tecnológica e digital na prática clínica dos dermatologistas.

Sempre com os olhos postos no futuro, Luís Soares de Almeida falará sobre o diagnóstico em Dermatologia, enquanto Sofia Magina abordará a temática da Farmacoterapia. Por sua vez, Rui Tavares Bello refletirá sobre a relação entre a especialidade e a revolução digital. Já Nuno Menezes trará ao Congresso uma perspetiva sobre a utilização de tecnologias em terapêutica dermatológica. O valor da e em Dermatologia será o alvo da análise por Paulo Varela.

Miguel Peres Correia: “Nada pode substituir a Dermatologia presencial”

Para o presidente da SPDV, Miguel Peres Correia, um dos principais desafios da Dermatologia passa pela atual e emergente tentação de substituir a atividade clínica presencial por dispositivos automáticos de diagnóstico ou por sistemas de telemedicina. “É preciso lutar pela solução adequada que é fornecer Dermatologia presencial”, sustenta o responsável.

No entender do dermatologista, a teledermatologia/telemedicina é uma prática desvirtua a relação médico-doente. “Não se pode praticar uma Dermatologia de qualidade sem observação e toque do doente. Quando usamos telemedicina estamos a usar um sucedâneo da Medicina. Não estamos a usar a verdadeira Medicina. Entre o sucedâneo e a falta de resposta, podemos optar pelo ‘sucedâneo’, mas isso não deve deixar-nos muito contentes enquanto país desenvolvido e europeu que somos”, defende o especialista.

No que concerne à especialidade, Miguel Peres Correia está confiante num futuro “risonho”, na medida em que, refere, a Dermatologia portuguesa tem atraído os médicos melhor classificados no exame de acesso ao Internato Médico. “A constante entrada de jovens profissionais de excelência é o garante de um futuro brilhante para a nossa especialidade”, sublinha.

Paulo Lamarão: “O reconhecimento das disciplinas emergentes”

Questionado sobre o que se pode esperar do futuro da Dermatologia, o secretário-geral da SPDV, Paulo Lamarão, revela: “a sua adaptação natural à revolução digital que a Medicina e a Sociedade presenciam”.

Porém, ressalva, “uma adaptação necessariamente crítica, procurando a salvaguarda da relação médico-doente e resistindo às novas tecnologias que a possam comprometer”. 

Além disso, Paulo Lamarão perspetiva “o reconhecimento das disciplinas emergentes, nas últimas décadas, como a Cirurgia Dermatológica, a Oncologia Cutânea e a Dermatologia Cosmética e Estética, mas também de disciplinas tradicionais, como a Dermatopatologia, cujo progresso científico continuará a reforçar a afirmação e a diferenciação da especialidade”.

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