Em 2018 morreram mais de 140 mil pessoas no mundo devido ao sarampo
DATA
06/12/2019 11:03:26
AUTOR
Jornal Médico
ETIQUETAS



Em 2018 morreram mais de 140 mil pessoas no mundo devido ao sarampo

Em 2018, o sarampo matou mais de 140 mil pessoas em todo o mundo, numa altura em que o número de casos e surtos aumentou globalmente. As estimativas, da Organização Mundial de Saúde (OMS) e do Centro para Controlo e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, foram divulgadas na quinta-feira.

A maior parte das mortes ocorreu em crianças com idades inferiores a cinco anos. O risco de infeções por sarampo nesta faixa muito jovem é maior e comporta potenciais complicações, desde pneumonia e encefalite, até dano cerebral permanente, cegueira ou perda auditiva, com repercussões a longo prazo.

Para além destes aspetos, há estudos a apontar para outras consequências a nível de memória do sistema imunológico que se estendem durante meses ou anos após infeção, tornando os sobreviventes mais vulneráveis a outras doenças potencialmente mortais, como gripe ou diarreia grave.

Perante estes dados, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreysus, veio afirmar que é “um ultraje e um fracasso coletivo em proteger as crianças mais vulneráveis do mundo” de uma doença evitável por vacina, existente há mais de 50 anos e segura e eficaz.

Num total de 9,7 milhões de casos de sarampo a nível mundial no ano passado, registaram-se 142.300 mortes relacionadas com a doença. Em termos geográficos, as estimativas de número de mortes (e respetivos casos observados) distribuíram-se da seguinte forma: 52.600 mortes (1,7 milhões de casos) na região africana, 49 mil (2,8 milhões) no mediterrâneo oriental, 39.100 (3,8 milhões) no sudeste asiático, 1.300 (404.400) no pacífico ocidental, 200 (861.800) na europa, 100 (83.500) nas américas. Os países mais afetados em termos de incidência foram a República Democrática do Congo, Libéria, Madagáscar, Somália e Ucrânia – em conjunto, perfazem quase metade da totalidade de casos de 2018.

Em relação à cobertura vacinal, observa-se uma estagnação das taxas de vacinação em todo o mundo durante quase uma década e ainda não é adequada para evitar surtos. Quanto às crianças, a OMS e a UNICEF apreciaram um total de 86% a receber globalmente a primeira dose da vacina por via dos serviços de vacinação de rotina dos seus países, no ano passado, mas uma taxa inferior a 70% no respeitante à segunda dose recomendada.

Nos últimos 18 anos, estima-se que a vacinação contra o sarampo tenha salvado mais de 23 milhões de vidas. Defendendo a necessidade de 95% de cobertura vacinal com duas doses em cada país e comunidades para proteger as populações do sarampo, o responsável da OMS argumenta em favor de um investimento na “imunização e assistência médica de qualidade como um direito para todos”.

Traçando um perfil de maior impacto do sarampo nos países mais pobres, o combate a surtos também ocorreu em alguns países mais ricos. Em 2018, quatro países europeus – Albânia, Chéquia, Grécia e Reino Unido – perderam o estatuto de eliminação do sarampo, após demonstrarem uma transmissão sustentada e contínua num período superior a um ano. Também os Estados Unidos, já este ano, registaram o maior número de casos de sarampo nos últimos 25 anos.

Neste contexto, a Iniciativa Sarampo e Rubéola (M&RI), constituída por Cruz Vermelha Americana, CDC, UNICEF, Fundação das Nações Unidas e OMS, e a Gavi Aliance (anteriormente Aliança Mundial para Vacinas e Imunização) estão a ajudar os países a responder aos surtos de sarampo. Esta resposta passa pela elaboração de campanhas de vacinação de emergência, mas também pelo empenho de esforços para reduzir o risco de complicações e de morte, através de tratamento atempado, e pelo apoio aos países na gestão os casos por via da formação de profissionais de saúde.

Apesar da imunização rápida ser essencial para responder aos surtos e de a hesitação e complacência quanto à vacinação serem desafios a superar, estes órgãos deixam patente a urgência de se investir em programas nacionais de alta qualidade para a imunização e vigilância de doenças rotineira. Desse modo, será possível alcançar os mais vulneráveis e proceder a uma deteção e interrupção dos surtos em geral mais atempada e eficaz.

As estimativas, resultado da modelação estatística realizada pela OMS a cada ano para a série temporal de 2000 até ao ano atual, fornecem uma indicação útil dos impactos do sarampo e das tendências a longo prazo. Não obstante, os casos relatados fornecem informações e comparações em tempo real. Nesse âmbito, foram reportados à OMS 353.236 casos de sarampo em 2018 e, neste ano (até meio de novembro), o número já ultrapassava os 413 mil casos, sendo que as redes nacionais já apontaram para um adicional de 250 mil.

800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde
Editorial | Jornal Médico
800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde

Se não os tivéssemos seria bem pior! O reforço do Programa Operacional da Saúde com 800 milhões de euros pode ser entendido como sinal político de valorização do setor da saúde. Será uma viragem na política restritiva? O Serviço Nacional de Saúde (SNS) de 40 anos precisa de cuidados intensivos! Há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções. É urgente pensarmos na nova década com rigor e disponibilidade sincera.

Mais lidas