Estratégia para a Medicina de Precisão em Portugal apresentada hoje em Lisboa

No sentido de criar uma estratégia nacional para a Medicina de Precisão, a Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH), em conjunto com a Ordem dos Médicos (OM), apresenta hoje em sede da OM a proposta para uma agenda, onde se preveem medidas e projetos pilotos no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Por oposição à perspetiva “one size fits all” (tamanho único para todos), a medicina de precisão consiste numa abordagem personalizada ao tratamento e à prevenção de doenças, isto é, em função de características de cada pessoa, ambiente, estilo de vida e variabilidade dos genes. Por esse motivo, o presidente da APAH, Alexandre Lourenço, refere que a aposta nestas “tecnologias altamente sofisticadas” permite uma utilização mais racional dos recursos, melhorando a “rapidez e eficácia dos diagnósticos” e reduzindo o desperdício.

A nível internacional, tem sido demonstrado que mesmo nas patologias amplamente estudadas há consideráveis taxas de ineficiência de tratamentos. No caso da asma são 43% dos doentes com resposta ineficaz, na artrite atinge os 50% e na área oncológica, mesmo com crescente inovação, a taxa é de 75%.

Desse modo, a APAH argumenta que Portugal deve ter uma estratégia industrial. “Será importante que o país esteja consciente de que deve investir em inovação e capacidade tecnológica nesta área para que seja capaz de desenvolver estas tecnologias, com parcerias entre hospitais, academia e a própria indústria e potencialmente investidores”, refere o representante da associação.

Intitulado “Estratégia para a Medicina de Precisão”, o documento a que a Lusa teve acesso propõe uma agenda a ser aplicada nos próximos quatro anos – entre 2020 e 2023 –, da qual consta assumir a medicina de precisão como um “pilar estratégico a nível governamental”, bem como a capacitação do SNS em termos de infraestrutura física, de tecnologias e de profissionais especializados e a definição de modelos de financiamento mais adequados. Quanto à regulação que acompanha a inovação, o documento alerta que esta não deve bloquear o “financiamento e o acesso por parte dos cidadãos a novas tecnologias”.

Durante esse período delineado, a agenda propõe ainda a realização de dois projetos piloto a realizar em hospitais do SNS. O objetivo é que um se foque na integração de dados clínicos e no desenvolvimento de algoritmos para ajuda na decisão clínica e que o outro permita assegurar o acesso de doentes a tratamentos personalizados, com um modelo de financiamento sustentável.

Sobre a primeira iniciativa, um grupo de peritos pretende criar um perfil clínico mais claro e individualizado, juntando dados clínicos, imagiologia médica e dados genómicos, bem como dados fornecidos pelos cidadãos através, por exemplo, de aparelhos de uso diário de medição de valores de saúde (‘wearables’), como os relógios ‘inteligentes’.

Por o estado de saúde do cidadão ser multifatorial, Alexandre Lourenço esclarece que estas bases de dados, pela sua qualidade e perspetiva a longo prazo, podem ser “oportunidades para a indústria, possibilitando desenvolvimento tecnológico e melhoria de cuidados de saúde”. E esta evolução tem de passar, segundo o presidente da APAH, por parcerias entre universidades, empresas e os serviços nacionais de saúde.

Quanto ao segundo projeto piloto, o documento descreve que deverá passar pela definição de modelos de financiamento adequados que promovam o acesso a novas terapêuticas de modo sustentável, por exemplo, as terapias celulares.

800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde
Editorial | Jornal Médico
800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde

Se não os tivéssemos seria bem pior! O reforço do Programa Operacional da Saúde com 800 milhões de euros pode ser entendido como sinal político de valorização do setor da saúde. Será uma viragem na política restritiva? O Serviço Nacional de Saúde (SNS) de 40 anos precisa de cuidados intensivos! Há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções. É urgente pensarmos na nova década com rigor e disponibilidade sincera.

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