OM: “Violência física, a outra face da falência da política de saúde”
DATA
07/01/2020 11:17:35
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Jornal Médico
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OM: “Violência física, a outra face da falência da política de saúde”

“As agressões brutais levadas a cabo contra médicos no exercício da sua profissão, durante as últimas semanas configuram crimes públicos repugnáveis que já mereciam uma intervenção urgente por parte do Ministério da Saúde e de todas as autoridades judiciais”, afirma em comunicado, enviado ao Jornal Médico, a Ordem dos Médicos (OM).

A Ordem dos Médicos expõe a sua total solidariedade com todos os colegas vítimas de agressão. A OM relembra ainda que foi criado em 2019 o Gabinete Nacional de Apoio ao Médico que é mais uma resposta aos médicos vítimas de violência física, psicológica ou burnout e que complementa o seguro que a Ordem já disponibilizava neste tipo de situações.

Este é o papel que a Ordem assumiu, substituindo “mais uma vez a ausência absoluta do Ministério da Saúde nesta matéria.”

É preciso prevenir e evitar que tais situações possam acontecer. Para a OM é aqui que o papel do Ministério da Saúde e das suas administrações, de “garantir a segurança física e clínica proteger a vida dos seus profissionais de saúde, falha demasiadas vezes, como é do conhecimento público.”

Além disso, para a OM, é também crítico e urgente que exista uma intervenção mais assertiva das autoridades judiciais nestes casos e que o Ministério da Saúde tenha uma intervenção imediata com medidas e políticas concretas que permitam prevenir este tipo de situações e “devolver aos profissionais e aos utentes um SNS em que o respeito, a confiança, a segurança e a qualidade imperem em todas as suas vertentes.”

“O risco de termos cada vez menos médicos disponíveis para trabalhar em contextos exigentes, como o serviço de urgência, é cada vez mais elevado”, reitera Miguel Guimarães, lembrando que “a qualidade e a segurança clínica também podem ser afetadas pelos contextos de pressão excessiva”.

A Ordem dos Médicos já alertou que os casos de violência contra profissionais de saúde estão a aumentar e lamenta que “este crescimento exponencial da violência seja um sinal de que o SNS não está bem, elevando se o clima de conflitualidade institucional que não dignifica nem beneficia ninguém e que resulta em taxas cada vez mais elevadas de abandono, de absentismo, de sofrimento ético, de burnout e de violência física e psicológica.”

A Ordem dos Médicos afirma que se encontra disponível para ajudar o Ministério da Saúde a reconstruir o SNS e a valorizar os profissionais de saúde, mas nunca aceitará que os médicos sejam submetidos ao “utilitarismo humilhante” que o Ministério da Saúde quer implementar em Portugal.

800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde
Editorial | Jornal Médico
800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde

Se não os tivéssemos seria bem pior! O reforço do Programa Operacional da Saúde com 800 milhões de euros pode ser entendido como sinal político de valorização do setor da saúde. Será uma viragem na política restritiva? O Serviço Nacional de Saúde (SNS) de 40 anos precisa de cuidados intensivos! Há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções. É urgente pensarmos na nova década com rigor e disponibilidade sincera.

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