Miguel Guimarães prioriza recuperação da dignidade dos médicos no próximo mandato
DATA
13/01/2020 12:34:30
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Jornal Médico
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Miguel Guimarães prioriza recuperação da dignidade dos médicos no próximo mandato

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, que se recandidata ao cargo sem concorrentes, assume como prioridade do triénio 2020/2022, recuperar a dignidade dos médicos e restituir a ideia de que “vale a pena trabalhar no Serviço Nacional de Saúde (SNS)”. Em entrevista à agência noticiosa Lusa, o responsável afirma que o panorama atual é marcado por insatisfação e desmotivação dos profissionais e por “completa desvalorização do conhecimento e da responsabilidade dos médicos na sociedade civil”.

Por considerar que esta realidade não é conhecida por todos, o representante da OM adianta que a Ordem está a preparar um inquérito nacional sobre a satisfação global dos clínicos, quer do setor público, quer do privado. A ser uma das “primeiras medidas no início” do segundo mandato de Miguel Guimarães, o estudo, que será realizado por uma universidade, tem como objetivo fornecer “dados objetivos” e concretos sobre este aspeto.

No respeitante ao inquérito, o bastonário prevê “resultados desastrosos em termos daquilo que os profissionais sentem”, dado que, na sua perspetiva atual, “a situação é crítica, verdadeiramente crítica”. Acrescenta ainda que a relação de empatia entre profissionais e o Ministério da Saúde “nunca esteve em níveis tão baixos”, pelo menos nos últimos dez a quinze anos.

Pretendendo repor a “imagem positiva” dos profissionais, Miguel Guimarães defende que é essencial “devolver a dignidade e a esperança de que vale a pena trabalhar em Portugal e de que vale a pena trabalhar no SNS”, admitindo que isso corresponde a “um grande trabalho”.

Na mesma entrevista, assegurou que a relação médico-doente continua a ser uma das prioridades. Nesse sentido, advoga que “mais tempo para os doentes falarem com os seus médicos” contribui para melhorar a capacidade de resposta e para a qualidade do ato clínico, promovendo uma boa relação. Assim, o responsável apela à aplicação de tempos adequados nas consultas, em concordância com a publicação da OM de um regulamento com os tempos padrão e intervalos mínimos entre marcação de consultas, seja no público ou no privado.

Para Miguel Guimarães, a boa gestão do tempo pode ainda ajudar a “diminuir o grau de conflitualidade”. Sobre a questão da violência contra profissionais de saúde, comentou que estas agressões devem ser vistas como crimes públicos de investigação prioritária como uma das estratégias para  “inverter a tendência” de crescimento.

800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde
Editorial | Jornal Médico
800 milhões de euros para o Serviço Nacional de Saúde

Se não os tivéssemos seria bem pior! O reforço do Programa Operacional da Saúde com 800 milhões de euros pode ser entendido como sinal político de valorização do setor da saúde. Será uma viragem na política restritiva? O Serviço Nacional de Saúde (SNS) de 40 anos precisa de cuidados intensivos! Há novos enquadramentos, novas responsabilidades, novas ideias e novas soluções. É urgente pensarmos na nova década com rigor e disponibilidade sincera.

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