Ordem dos Médicos quer estimular investigação e captar 700 milhões para ensaios clínicos
DATA
13/01/2020 14:24:31
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Jornal Médico
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Ordem dos Médicos quer estimular investigação e captar 700 milhões para ensaios clínicos

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM), Miguel Guimarães, explana, no programa de recandidatura ao cargo, a proposta de agilizar a aprovação dos ensaios clínicos em Portugal para potenciar captação de investimento nesta área, passando dos atuais 100 milhões para 700 milhões de euros. Já tendo sido apresentada ao Ministério da Economia, o representante revela, em entrevista à agência Lusa, a intenção de a expor também ao Ministério da Saúde.

Por forma a estimular a aposta de laboratórios farmacêuticos internacionais em Portugal, Miguel Guimarães argumenta ser imperativo eliminar “várias das barreiras que existem para que os protocolos sejam aprovados”. “Se o laboratório tem um determinado estudo que é importante fazer em vários países europeus e se, em Portugal, aquilo que é a aprovação da Comissão de Ética demorar seis, sete ou oito meses, é evidente que acaba por não vir para Portugal e incluir mais doentes num outro país, como, por exemplo, a Bélgica”, disse.

Atualmente, o país tem conseguido em termos de investigação clínica perto de 100 milhões de euros, sendo que quase metade deste valor é proveniente de um laboratório português, a Bial. Assim, com esta proposta, o bastonário espera potenciar o investimento por parte dos laboratórios estrangeiros e alcançar os 700 milhões de euros. Embora reconheça que a tarefa “não se faz de um dia para o outro”, o responsável compara a situação portuguesa com a belga: “se a Bélgica, que tem características muito semelhantes a nós, tem capacidade deste income [os cerca de 700 milhões de euros], nós também podemos ter”.

Perante a hipótese, Miguel Guimarães sublinha a necessidade de tornar Portugal “mais atrativo para aquilo que é a aposta da indústria farmacêutica”. Desse modo, destaca que será possível desenvolver investigação clínica dos grandes ensaios, relembrando que é uma situação vantajosa para os vários intervenientes.

“Os ensaios clínicos têm benefícios diretos para os hospitais onde for feita a investigação (…) têm benefícios para quem participar na investigação – pois as próprias regras preveem que quem participa nesta investigação fora do seu horário normal de trabalho tem também uma remuneração especial – e têm benefício amplo para os doentes, que podem ter acesso, de forma gratuita, a medicações que têm um potencial de cura ou de melhorar a qualidade de vida e a sobrevida muito superior ao normal”, referiu.

Em 2019, de acordo com os dados do Infarmed até final do terceiro trimestre, foram submetidos 107 pedidos para ensaios clínicos – 50 em fase III –, tendo apenas ocorrido uma rejeição. Em relação ao tempo médio de decisão, o valor situou-se nos 35 dias (24 dias úteis). Do total de solicitações, a maioria dos medicamentos a testar são da área da oncologia (antineoplásicos e imunomoduladores), seguidos pelos fármacos para o sistema nervoso central.

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Editorial | Jornal Médico
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