Em metade das equipas de cuidados paliativos os médicos têm nove minutos por doente
DATA
15/01/2020 14:46:03
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Jornal Médico
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Em metade das equipas de cuidados paliativos os médicos têm nove minutos por doente

Em metade das equipas de cuidados paliativos os médicos têm, diariamente, nove minutos ou menos por cada doente e os psicólogos e assistentes sociais um a dois minutos, revela um estudo do Observatório Português de Cuidados Paliativos (OPCP).

O Relatório de Outono de 2019, cuja divulgação foi feita em duas partes (a primeira em 12 dezembro e a segunda hoje) demonstra que a mediana dos tempos de dedicação semanal a cada doente é de cerca de 45 minutos na área da medicina, 82 minutos na da enfermagem, quase nove minutos na da psicologia e dez minutos na área de serviço social.

Outra das conclusões do relatório “Atividade Assistencial das Equipas/Serviços de Cuidados Paliativos” aponta que, em 2018, acederam a cuidados paliativos 25.570 doentes adultos e 90 em idade pediátrica, o que denota uma taxa de acessibilidade de cerca 25% dos adultos e 0.01% em crianças e jovens.

Em declarações à agência Lusa, o coordenador do OPCP - Instituto de Ciências da Saúde, da Universidade Católica, Manuel Luís Capelas, explicou que a taxa de acessibilidade “está em linha com o que tem sido estudado e apresentado”, que ronda entre os 25 e os 50%.

“Estamos no limite mínimo dessa taxa de acessibilidade”, mas está em consonância com o preconizado para dois anos de implementação de um programa de cuidados paliativos.

Mas, afirmou Manuel Luís Capelas, “o que nos preocupa de sobremaneira” é o baixo tempo de alocação profissional às equipas, com baixo número de recursos, já apontado no relatório de dezembro.

“Este relatório vem dizer que, apesar de tudo, até se consegue receber muitos doentes, mas o que acontece é que isso tem algum impacto aparentemente negativo”, nomeadamente no escasso tempo de dedicação profissional por doente.

Isso traduz-se no facto de, em “metade das equipas, os médicos terem cerca de nove minutos ou menos por doente por dia, o que não abona nada em termos de uma prática integral e de uma visão multidisciplinar que tem que haver” nestes cuidados.

O tempo alocado dos psicólogos e dos assistentes sociais ao doente também é “muito reduzido para uma prática verdadeiramente de cuidados paliativos”, que não deve ficar muito centrada no controlo de sintomas.

“Nós não poderemos prestar bons cuidados se não tivermos as pessoas com alocação necessária”, disse, defendendo ser “preferível” ter menos recursos e ir dotando a rede para crescer de “uma forma sustentada, prática, com os recursos adequados”.

O objetivo é permitir uma prática adequada, sendo “muito seletivos” na identificação, triagem e na admissão dos doentes e, “acima de tudo, em tempo útil para que estas equipas possam verdadeiramente prestar os cuidados”.

O estudo também demonstra que há realidades “muito diferentes” no país, com locais onde há médicos a poder dedicar seis minutos por semana a um doente e outros quase duas horas.

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