A 8ª edição da Check-Up promoveu 370 rastreios em diversas áreas
DATA
07/02/2020 11:58:08
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Jornal Médico
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A 8ª edição da Check-Up promoveu 370 rastreios em diversas áreas

Dia 4 de fevereiro foi dia de rastreios no Spacio Shopping dos Olivais. No total, a 8ª edição da Check-Up contou com 370 rastreios em diferentes áreas, desde diabetes, audição, alergias, doenças respiratórias, insuficiência renal, até, pela primeira vez na Check-Up, dermatite atópica e psoríase.

O Jornal Médico esteve à conversa com alguns dos profissionais de saúde e representantes das associações presentes que estiveram, ao longo do dia, em contacto com a comunidade para esclarecer dúvidas e prestar aconselhamento gratuito.

O rastreio das alergias foi assegurado pela Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC). Uma explicação é oferecida pelo presidente da SPAIC, Manuel Branco Ferreira. Nas suas palavras, “as alergias, como são doenças muito prevalentes – atingem pelo menos cerca de um terço, até 40% das pessoas –, despertam sempre interesse na população”. Na sua perspetiva, a utilidade dos rastreios prende-se com o facto de permitir “dar uma resposta rápida” às pessoas que procuram o alergologista para esclarecer “com propriedade e informação credível” determinadas questões e para verificar a presença ou não de determinadas alergias – “claro que com algumas limitações porque apenas testamos, de uma panóplia de alergénios, seis”, ressalva. Recorda ainda que a população com idade mais avançada – setor etário que por mais ali passou – “não está isenta de alergias”.

Na sequência do envelhecimento como um dos fatores potenciadores de problemas renais, o colaborador com a Associação Portuguesa de Insuficientes Renais e enfermeiro António Filipe Cristóvão destacou o peso, económico e social, da doença renal crónica na sociedade portuguesa – “Portugal é o país da Europa com maior prevalência de pessoas no estádio final de doença renal crónica”. Apesar de inicialmente não ter, “em muitos casos, uma apresentação muito grave”, a doença renal é, justificou o especialista, uma patologia silenciosa. “Evolui lentamente e só tardiamente apresenta sintomas, quando já é uma doença renal crónica. Nas últimas fases, o rim está tão debilitado que o mau ou débil funcionamento leva a uma falência renal total”, pelo que a sobrevivência do doente depende de tratamentos substitutivos do rim “caríssimos”, argumentou.

Por isso, António Filipe Cristóvão, realçando a necessidade de "equipas multidisciplinares, com diversos olhares interdependentes”, afirmou ser essencial focar, nos rastreios, em duas das principais causas onde é mais fácil atuar - hipertensão e diabetes –, avaliando a tensão arterial e glicémia, aconselhando as pessoas a não “abusarem do sal e a controlarem o peso” e sensibilizando as pessoas “para cuidarem melhor dos seus rins” e, desse modo, retardar/prevenir a doença renal.

Pela primeira vez, a Check-Up contou com rastreio dermatológico, com incidência na psoríase, através da PSOPortugal – Associação Portuguesa da Psoríase, e na dermatite atópica, por via da ADERMAP – Associação Dermatite Atópica Portugal. Nesta área, o dermatologista Pedro Mendes Bastos felicitou este tipo de iniciativas. “Pretendemos, acima de tudo, chamar a atenção da comunidade para estas duas doenças crónicas de pele que têm um impacto na qualidade de vida dos doentes significativo, mas que têm tratamento com possibilidade de melhorar muito”, esclareceu. Acrescentou ainda que as pessoas “estão sedentas de ter acesso a informação credível”. Assim, os pontos-chave são sensibilizar, esclarecer e difundir a mensagem, distribuindo também panfletos de associações de doentes, “disponíveis para ajudar naquilo que for necessário”.

Os restantes espaços foram assegurados pela Associação de Jovens Diabéticos de Portugal (AJDP), pela Associação Portuguesa de Cardiopneumologistas (APTEC), bem como pela marca Minisom. Como refere a presidente da AJDP, Jenifer Duarte, a estratégia de atuação da associação foi a realização do questionário de risco de desenvolvimento de diabetes tipo II, a avaliação da glicémia, “dar a conhecer os fatores de risco da diabetes” e aconselhar para hábitos e comportamentos de vida mais saudáveis. O objetivo é “travar um bocadinho este aumento da diabete tipo II que vai num caminho exponencial”. Já na Minisom, a audiologista Tânia Carvalho reforçava a importância de ter iniciativas destas em “sítios de passagem” para tentar alcançar mais pessoas que, de outra forma, nem sempre se iriam “desviar da sua rotina”. Com a aplicação de um questionário e de testes de audição, a profissional referiu que as pessoas têm sempre pelo menos uma questão, estando relacionadas sobretudo com sintomatologia. Por fim, na APTEC, estiveram a realizar-se espirometrias como forma de analisar a função pulmonar.


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